A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), teve a candidatura à reeleição oficializada na convenção do partido realizada no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, neste domingo (2). A cerimônia marcou o início oficial da campanha da atual chefe do Executivo local, que assumiu o cargo em 30 de março de 2026, após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB). O ex-governador havia deixado o posto para concorrer ao Senado, mas acabou desistindo da disputa. Desde então, Celina comanda o GDF, com quatro meses de gestão.
Em discurso para correligionários e em entrevista à imprensa, Celina defendeu a administração e colocou a recuperação do Banco de Brasília (BRB) como um dos pilares de sua gestão. A governadora afirmou que a instituição será recuperada e criticou aqueles que, segundo ela, fazem campanha contra a capital sem apresentar soluções.
“Eles não imaginam o que seria uma liquidação”
Questionada se o banco será um dos temas da disputa eleitoral, Celina respondeu: “Os meus adversários são tão irresponsáveis que eles fazem campanha contra a nossa cidade. Eles não imaginam o que seria uma liquidação de um banco como esse. É só lembrá-los que a previdência dos servidores públicos está dentro do BRB, que todos os nossos programas sociais estão lá”.
Na visão da candidata, a oposição se limita a criticar e não traz propostas. “Os adversários falam, não trazem proposta e são irresponsáveis porque eles não amam Brasília”, completou.
Acordo no STF e consórcio de bancos
Sobre o processo de recuperação, Celina assegurou que o BRB “já está em fase de recuperação” e que “falta apenas a assinatura do acordo” firmado no Supremo Tribunal Federal. Ela atribuiu a demora ao Banco do Brasil, que está encarregado de reunir a documentação dos bancos N1 que entrarão no consórcio.
“O tempo está um pouco mais devagar porque quem comanda é o Banco do Brasil e ele está terminando de pegar a documentação de todos os bancos N1 que vão participar do consórcio”, explicou. As declarações foram dadas em entrevista ao programa Canal Livre, da rede Bandeirantes.
Socorro de R$ 6,6 bilhões
Enquanto isso, os maiores bancos do país seguem interessados em negociar o socorro ao BRB, mas as conversas pouco avançaram, conforme apurou a Broadcast. O plano homologado em maio pelo ministro Luiz Fux, do STF, prevê um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões ao GDF, com aval do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e fiança de Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, BTG Pactual e Santander.
A operação envolve o uso de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Fundo de Participação dos Estados (FPE) como contragarantia. No entanto, os bancos privados demonstram apreensão diante do risco de insegurança jurídica, uma vez que a vinculação dessas transferências constitucionais ao acordo pode ser contestada judicialmente.
O imbróglio do Banco Master e a ruptura com Ibaneis
O rombo do BRB tem origem na tentativa frustrada de compra do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, durante o governo de Ibaneis Rocha, com Celina na vice-governança. O negócio deixou um prejuízo bilionário para a instituição regional e se tornou um dos principais temas da política no Distrito Federal.
Para se desvencilhar do escândalo, Celina buscou se afirmar de forma independente, distanciando-se do ex-governador. Ibaneis, que a escolheu como vice no segundo mandato (2023-2026), declarou decepções com a atual governadora, mas foi rebatido com a frase de que sucessão não é “submissão”.
Base aliada e aproximação com o PL
A despeito do racha, a coligação encabeçada por Celina reúne PP, MDB, União Brasil, Republicanos e Podemos. O PL não integra a aliança oficialmente, mas a candidata já aparece em campanha ao lado das pré-candidatas da legenda Bia Kicis e Michelle Bolsonaro, em um movimento de aproximação com o bolsonarismo.
A recuperação do BRB, portanto, deve continuar na agenda eleitoral, mobilizando tanto o governo quanto a oposição, enquanto os bancos avaliam os riscos do plano de socorro.



