Em um evento realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), teve sua candidatura à reeleição oficializada neste domingo, dia 2. A cerimônia reuniu lideranças partidárias, candidatos a deputado distrital e federal, e aliados, mas não contou com a presença do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), principal fiador da ascensão de Celina ao cargo.
Ausência de Ibaneis e o escândalo do Banco Master
A ausência de Ibaneis Rocha não passou despercebida. O ex-governador, que renunciou ao mandato em 30 de março de 2026 para concorrer ao Senado e depois desistiu da disputa, foi citado em meio ao escândalo do Banco Master. A investigação apura a tentativa de compra do banco de Daniel Vorcaro pelo Banco de Brasília (BRB) durante a gestão de Ibaneis, que teria gerado um prejuízo bilionário à instituição regional.
Celina, que assumiu o governo após a renúncia, buscou se distanciar do antigo aliado para se apresentar ao eleitorado como uma candidata independente. Ibaneis, por sua vez, mencionou decepções com a atual governadora, que se tornou vice-governadora apenas no segundo mandato (2023-2026). A resposta de Celina foi direta: sucessão não é "submissão".
Discurso de defesa da gestão e da chapa completa
No palco, ao lado do candidato a vice-governador, Gustavo Rocha (Republicanos), ex-ministro dos Direitos Humanos no governo Michel Temer, Celina discursou defendendo seu trabalho à frente do GDF. "Limpei as contas públicas, nomeei concursados", afirmou. Ela também destacou o corte de gastos, citando o cancelamento da festa de aniversário de Brasília, que ocorreria em 21 de abril.
Em referência aos adversários, a governadora ressaltou que sua chapa é completa e que ela é "ficha-limpa". "Tenho meu nome de vice-governador e o nome das minhas duas senadoras. Não vai ser chapa surpresa, não", disse. As críticas indiretas atingiram os principais concorrentes, o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) e o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT), que ainda não definiram seus candidatos a vice.
Ao falar com jornalistas, Celina reforçou a legitimidade de sua candidatura: "A nossa chapa não briga pela elegibilidade, é uma chapa limpa. É uma chapa que tem trabalho prestado por todas as pessoas. Eu acho que isso é um projeto muito histórico para mostrar para o Distrito Centro Federal. Não é uma aventura".
Apoios e alianças sem o PL formal
A coligação de Celina reúne PP, MDB, União Brasil, Republicanos e Podemos, mesmo sem a presença de Ibaneis no evento. O PL não integra formalmente a chapa, mas a governadora apoia os nomes do partido para o Senado: Bia Kicis e Michelle Bolsonaro. "É muito importante ter a Michelle e a Bia como candidatas. Nós já ajudamos a Damares na campanha passada. E ter essas duas agora tendo a possibilidade de ser candidata. É um sonho pra mim ter três mulheres numa chapa", declarou.
Ausência de Michelle Bolsonaro e a campanha restrita
Michelle Bolsonaro não participou do evento. A ex-primeira-dama foi internada no sábado, dia 1, para realizar exames e investigar um quadro de enxaqueca persistente que dura mais de dez dias. Segundo Celina, Michelle atenderá a um apelo do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas a campanha será diferente. "Uma campanha em que ela não vai poder estar muito presente, porque ela ainda está muito presa em casa", resumiu a governadora.
Referência a Roriz e a cerimônia
Em seu discurso, Celina também fez referência ao ex-governador Joaquim Roriz, que governou o DF por três mandatos (entre 1988 e 2006). Segundo ela, Roriz a ensinou que o governo existe para "cuidar de quem mais precisa". Roriz faleceu em 2018.
Dezenas de candidatos a deputado distrital e federal das legendas da coligação discursaram por cerca de duas horas, a maior parte sem a presença de Celina, e compararam os poucos meses da atual gestão com os quase oito anos do governo Ibaneis. Também estiveram no palco a senadora Damares Alves, a candidata ao Senado Bia Kicis e a candidata do Democracia Cristã à Presidência da República, a advogada Clariana Brandão, acompanhada pelo presidente da sigla, João Caldas.



