Versão IA de Bolsonaro em convenção do PL reacende debate sobre uso em campanha
IA de Bolsonaro em convenção do PL reacende debate eleitoral

A exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial (IA) simulando o ex-presidente Jair Bolsonaro durante a convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à reeleição reacendeu o debate sobre os limites do uso da tecnologia em campanhas eleitorais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já estabeleceu normas claras para o emprego de IA no processo eleitoral, exigindo identificação explícita de conteúdos sintéticos e proibindo deepfakes que possam beneficiar ou prejudicar candidatos.

Regras do TSE para inteligência artificial nas eleições

A resolução do TSE, aprovada em fevereiro de 2026, determina que todo conteúdo gerado por IA deve ser rotulado de forma visível e inequívoca, indicando que se trata de material sintético. A medida visa coibir a disseminação de desinformação e proteger a integridade do pleito. Deepfakes — vídeos ou áudios manipulados que simulam pessoas reais — são expressamente proibidos quando utilizados para criar fatos inverídicos que possam influenciar a decisão do eleitor.

Além disso, as plataformas digitais são obrigadas a remover imediatamente qualquer conteúdo que viole as regras, sob pena de multa e outras sanções. A norma também vale para candidatos, partidos e apoiadores, que devem se abster de usar IA para distorcer a realidade ou atacar adversários.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Contexto do vídeo e reações

O vídeo exibido na convenção do PL, ocorrida no último sábado, mostrava uma versão digital de Jair Bolsonaro discursando em apoio ao filho. A produção não trazia, de imediato, uma identificação clara de que era gerada por IA, o que gerou críticas de especialistas e de adversários políticos. O PL, no entanto, afirmou que a peça estava em conformidade com as regras, pois incluía um selo discreto no canto inferior direito indicando "conteúdo sintético".

A situação ocorre em meio a restrições impostas a Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o tornou inelegível até 2030. O ex-presidente é investigado por suposto uso de IA em campanhas anteriores para disseminar informações falsas.

Impacto nas eleições de 2026

O debate sobre IA ganha relevância nas eleições de 2026, marcadas pela polarização e pelo avanço tecnológico. Especialistas alertam que, sem fiscalização rigorosa, a tecnologia pode ampliar a desinformação e minar a confiança do eleitor. O TSE já anunciou que intensificará o monitoramento de conteúdos digitais e contará com ferramentas de IA para detectar deepfakes.

Por outro lado, defensores do uso da tecnologia argumentam que ela pode ser benéfica para engajar eleitores, desde que transparente. A legislação atual, porém, deixa margem a interpretações, e a falta de definição sobre o que constitui uma "identificação visível" tem gerado controvérsias.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar