O vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior, foi o único a não citar o senador Jaques Wagner durante a convenção realizada neste sábado, 1º de agosto, no estado. De acordo com reportagem do Valor, enquanto diversas lideranças do Partido dos Trabalhadores exaltaram a trajetória de Wagner, o vice-governador manteve uma postura diferente e não fez qualquer menção ao ex-governador.
O evento, que reuniu a base aliada do governador Jerônimo Rodrigues, teve como pano de fundo as articulações para as eleições de 2026. Em discursos anteriores ao de Geraldo Júnior, oradores destacaram o papel de Jaques Wagner na consolidação do projeto político do PT na Bahia. Wagner, que ocupou o governo estadual por dois mandatos e hoje atua como senador, é considerado um dos principais articuladores da legenda no Nordeste.
Contexto político e o silêncio do vice-governador
Segundo o Valor, a ausência de citação a Jaques Wagner na fala de Geraldo Júnior chamou a atenção dos presentes. A convenção é vista como um momento de união das forças políticas que sustentam o atual governo, e a expectativa era de que todas as lideranças prestassem homenagens a Wagner, dado o seu peso no partido e na política local. A convenção do PT na Bahia contou com a participação de partidos aliados, como o MDB, do qual Geraldo Júnior é filiado.
Geraldo Júnior, que é vice-governador desde janeiro de 2023, tem atuado em conjunto com o PT no estado, mas o episódio pode refletir uma diferença de abordagem ou mesmo um mal-estar político. Não houve, até o momento, manifestações oficiais sobre o ocorrido.
O papel de Jaques Wagner na política baiana
Jaques Wagner é um histórico militante petista e foi o primeiro governador eleito pelo PT na Bahia. Ele governou o estado entre 2007 e 2014, sendo reeleito em 2010. Depois disso, ocupou o Ministério da Defesa no governo Dilma Rousseff e, em 2018, foi eleito senador. Sua influência política permanece forte, especialmente no cenário sucessório, e ele é frequentemente lembrado por lideranças do partido como um pilar da gestão petista no estado.
Em convenções e atos públicos, é comum que políticos citem Wagner como referência. Por isso, a atitude de Geraldo Júnior foi considerada atípica.
Repercussões e leituras do episódio
O comportamento de Geraldo Júnior foi interpretado por observadores como parte das complexas relações entre os partidos que compõem a coligação. No entanto, não há informações de que o assunto tenha sido abordado abertamente durante ou após o evento. A reportagem do Valor não trouxe declarações de Geraldo Júnior ou de outros políticos sobre o caso.
O episódio ocorre em um momento em que o PT busca manter a unidade de sua base para as próximas eleições. A Bahia é um estado-chave para a legenda no Nordeste, e a manutenção da aliança com o MDB tem sido um dos pontos de atenção da cúpula partidária.
Eleições 2026 e as movimentações no estado
Com as eleições se aproximando, as convenções partidárias se tornam espaços de demonstração de força e de alinhamento. A postura de Geraldo Júnior, ao não citar Jaques Wagner, pode ser lida como uma sinalização ou apenas um detalhe sem maiores desdobramentos. Ainda assim, o assunto movimentou bastidores políticos na capital baiana.
Segundo o Valor, o evento contou com a presença de prefeitos, deputados e lideranças comunitárias ligadas ao governo. A fala de cada orador foi acompanhada com atenção, e a ausência da referência a Wagner no discurso do vice-governador não passou despercebida.
O que se espera agora
Até o fechamento desta edição, não havia reação pública do senador Jaques Wagner ou de sua equipe sobre o episódio. Também não havia confirmação de que Geraldo Júnior tenha sido procurado por outras lideranças do PT para tratar do assunto. Os próximos passos devem envolver conversas nos bastidores para preservar a aliança.
O caso segue em aberto, e novas movimentações podem surgir no desenrolar das articulações eleitorais. A política baiana, conhecida por suas alianças complexas, novamente apresenta um capítulo que pode ter repercussões no futuro.



