Uma pesquisa inédita do Instituto Locomotiva, em parceria com a Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), revela que o eleitor brasileiro está mais informado, crítico e desapegado de partidos políticos. O estudo, divulgado nesta quarta-feira, mostra que 78% dos entrevistados afirmam que votam em candidatos, não em siglas, e 62% dizem que mudaram de voto entre as últimas eleições.
Eleitor mais crítico e seletivo
Segundo a pesquisa, 85% dos eleitores consideram que os políticos devem apresentar propostas concretas para melhorar a vida da população, e 73% afirmam que não votariam em um candidato apenas por indicação de líderes partidários. “O eleitor saiu da bolha, está mais sabido e desapegado. Ele quer resultados, não promessas vazias”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
O estudo também aponta que 67% dos brasileiros acreditam que a polarização política atrapalha o desenvolvimento do país, e 58% dizem que evitam discutir política com amigos e familiares para não gerar conflitos. Esse distanciamento reflete uma busca por candidatos que fujam do radicalismo e apresentem soluções práticas.
Rejeição a partidos e fidelidade partidária em queda
A pesquisa mostra que a identificação partidária caiu para 28% dos eleitores, o menor índice já registrado. Em 2018, esse número era de 35%. “As pessoas estão cansadas de briga partidária. Querem alguém que resolva problemas reais, como saúde, educação e emprego”, explica Meirelles.
Além disso, 71% dos entrevistados afirmam que não se sentem representados por nenhum partido político, e 69% dizem que os partidos são mais preocupados com seus próprios interesses do que com a população. A desconfiança é maior entre os jovens de 16 a 24 anos, onde 82% não se identificam com nenhuma sigla.
Impacto nas eleições de 2024
Para os especialistas, esses dados indicam que as eleições municipais de 2024 serão marcadas por um voto mais volátil e pragmático. “Os candidatos terão que mostrar serviço. Não basta ter o apoio de um líder político ou de um partido grande. O eleitor quer saber o que ele fez e o que vai fazer”, diz a cientista política Luciana Santana, da Abrapel.
A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 20 de janeiro, com 2.000 entrevistados em 120 municípios brasileiros, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Os dados reforçam a tendência de enfraquecimento das legendas tradicionais e a ascensão de candidaturas independentes e de centro.



