Após o discurso inflamado do presidente argentino Javier Milei na convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República em 2026, uma crise diplomática entre Brasil e Argentina se instalou, levando aliados do senador a aconselhá-lo a deixar a agenda internacional em segundo plano. A recomendação, feita por integrantes da cúpula da campanha, visa evitar que o episódio prejudique a consolidação de apoios internos e a aproximação com eleitores moderados.
Recuo estratégico no cenário internacional
Como consequência direta das tensões, Flávio Bolsonaro desistiu de participar da posse de Keiko Fujimori no Peru, compromisso que já estava em pauta em sua agenda. A decisão foi tomada após ponderações de que sua presença no exterior poderia ser interpretada como um aval ao discurso de Milei, que atacou duramente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A crise diplomática gerada pelos ataques ressaltou a necessidade de o candidato priorizar a política doméstica e diminuir resistências entre eleitores que ainda não estão convencidos de sua viabilidade eleitoral.
Foco nas convenções estaduais e negociações de campanha
Aliados do senador afirmam que, neste momento, o esforço deve estar concentrado na articulação das convenções estaduais do partido e nas negociações de coligações. A estratégia é fortalecer a base eleitoral nos estados, consolidar o apoio de prefeitos e governadores, e evitar desgastes desnecessários no cenário externo. A crise com a Argentina, embora não tenha sido desejada, serve como alerta para que a campanha de Flávio mantenha o foco nas questões nacionais, como economia, segurança e educação.
Internamente, a avaliação é de que o discurso de Milei, mesmo que tenha sido feito em um contexto de apoio ideológico, acabou gerando um ruído desnecessário. Flávio Bolsonaro, por sua vez, evitou comentar diretamente a fala do argentino, mas sinalizou a interlocutores que está alinhado com a estratégia de priorizar o diálogo com os brasileiros. A expectativa é que, nos próximos dias, ele intensifique as agendas em regiões consideradas essenciais para a virada de votos no primeiro turno.



