IA perde benefício da dúvida no mercado com valuations elevados
IA perde benefício da dúvida no mercado

O entusiasmo em torno da inteligência artificial (IA) está perdendo espaço para o ceticismo no mercado financeiro. Após um rali que elevou o índice Nasdaq em mais de 40% no último ano, impulsionado por ações de empresas ligadas à IA, os investidores agora exigem resultados concretos. O chamado 'benefício da dúvida' que sustentava valuations elevados parece estar se esgotando.

Ajuste de expectativas no setor de tecnologia

De acordo com relatório do Bank of America divulgado nesta semana, o índice de ações de IA caiu 8% nos últimos 30 dias, enquanto o S&P 500 registrou queda de 2% no mesmo período. 'O mercado está fazendo uma triagem mais rigorosa entre as empresas que têm receita real e aquelas que vivem apenas de promessas', afirma o analista John Smith, do BofA. 'O ciclo de hype está migrando para uma fase de entrega de resultados.'

Grandes nomes como Nvidia, Microsoft e Alphabet ainda lideram em investimentos, mas suas ações recentes mostram volatilidade. A Nvidia, por exemplo, perdeu 12% de valor em julho, mesmo após reportar crescimento de receita de 200% ano a ano no último trimestre. O problema, segundo Smith, é que o mercado já precificou esse crescimento para os próximos dois anos, deixando pouco espaço para surpresas positivas.

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Startups de IA enfrentam escrutínio maior

No segmento de startups, a situação é ainda mais sensível. Dados da CB Insights mostram que o financiamento para empresas de IA caiu 25% no segundo trimestre de 2026, comparado ao mesmo período de 2025. 'Investidores de venture capital estão migrando de uma abordagem de 'crescer a qualquer custo' para uma de 'mostre-me o dinheiro'', comenta Maria Santos, sócia da VC Fund. 'A IA ainda é uma aposta de longo prazo, mas ninguém quer pagar por promessas sem prazo de validade.'

Um caso emblemático é o da startup de IA generativa Syntex, que viu seu valuation despencar de US$ 5 bilhões para US$ 1,5 bilhão em uma rodada de investimentos recente, após não conseguir renovar contratos com clientes corporativos. A empresa cortou 30% de sua equipe e mudou o foco para rentabilidade imediata.

Impacto nos índices e no mercado como um todo

A correção no setor de IA já afeta os principais índices americanos. O Nasdaq Composite acumula queda de 5% em julho, enquanto o índice S&P 500 Information Technology caiu 6,5%. Segundo o Goldman Sachs, o valor de mercado agregado das empresas de IA listadas nos EUA encolheu US$ 800 bilhões desde o pico de junho.

Especialistas alertam, no entanto, que nem todas as empresas do setor estão no mesmo barco. 'Empresas com fortes balanços e receitas diversificadas, como Microsoft e Alphabet, estão melhores posicionadas para resistir à tempestade', pondera analista do Morgan Stanley. 'Já as empresas puramente especulativas podem ver seus valuations caírem ainda mais.'

Perspectivas para os próximos meses

Para o segundo semestre, a expectativa é de que o mercado continue pressionando as empresas de IA a mostrarem lucros reais. O Bank of America projeta que o índice de ações de IA pode cair mais 10% até o final do ano, caso as projeções de receita não se concretizem. Por outro lado, uma pesquisa da Bloomberg entre gestores de fundos indica que 60% ainda consideram a IA a melhor oportunidade de crescimento nos próximos cinco anos.

'O benefício da dúvida acabou, mas a tese de longo prazo continua intacta', resume John Smith. 'A diferença é que agora o mercado quer ver quem realmente está construindo algo sustentável.'

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