Flávio Bolsonaro sofre novo revés na tentativa de atrair federação União-PP no Ceará
Flávio Bolsonaro sofre revés na federação União-PP no Ceará

A pouco mais de uma semana para o fim do período das convenções, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, sofre mais um revés na tentativa de atrair a federação formada por União Brasil e PP no Ceará. A federação está dividida entre uma ala alinhada ao bolsonarismo e outra ao petismo, e a briga foi parar na Justiça Eleitoral. O diretório estadual da federação, comandado pelo ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil), decidiu apoiar Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado. No entanto, os deputados federais Moses Rodrigues (União-CE) e AJ Albuquerque (PP-CE), que comandam os diretórios estaduais de seus partidos e são próximos do PT, entraram com ação judicial para invalidar essa convenção e garantir o apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará deve julgar o caso na quinta-feira.

Acordo nacional versus força local

Flávio Bolsonaro, que concorre à Presidência, havia fechado um acordo com a cúpula nacional da federação para apoiar a candidatura de Ciro Gomes no Ceará. O acordo, segundo integrantes da cúpula nacional da legenda, passava pelo entendimento de que Ciro escalaria aliados considerados fortes para a eleição de deputado federal. O União Brasil contava que Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza por oito anos, fosse candidato a deputado para ajudar a legenda a formar uma bancada relevante no estado, mas o ex-prefeito, em vez disso, foi apresentado como candidato a vice de Ciro.

No entanto, as bases estaduais dos dois partidos resistem a essa orientação. Moses Rodrigues e AJ Albuquerque, que presidem os diretórios estaduais do União Brasil e do PP, respectivamente, são próximos do senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação de Lula. Eles articulam para que as siglas apoiem a reeleição do governador Elmano de Freitas, candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A chapa do PT deve contar ainda com o senador Cid Gomes (PSB) como candidato à reeleição, e a segunda vaga ao Senado pode ser oferecida a um partido aliado, com nomes como o do próprio presidente do União Brasil no estado e a deputada Luizianne Lins (Rede).

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Convenções paralelas e ação judicial

Em convenção realizada no domingo, o diretório estadual da federação aprovou o apoio a Ciro Gomes, além de Capitão Wagner como candidato ao Senado e Roberto Cláudio como vice. A chapa ainda conta com Alcides Fernandes (PL), do partido de Flávio Bolsonaro, como candidato à outra vaga ao Senado. No entanto, os dois partidos que compõem a federação resolveram fazer convenções separadas daquela realizada pelo comando da federação no estado e ambas as legendas optaram pelo apoio ao governador petista.

Os deputados Moses Rodrigues e AJ Albuquerque entraram com uma ação na Justiça Eleitoral para invalidar a convenção que deu apoio a Ciro e tentam aval jurídico para a aliança com o PT. O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará deve julgar o caso na quinta-feira. Enquanto a Justiça não decide, as campanhas seguem em clima de incerteza.

Rejeição de Flávio Bolsonaro se mantém alta

Pesquisa AtlasIntel divulgada em julho mostra que a rejeição de Flávio Bolsonaro se mantém em 53%, estável mesmo após crises na pré-campanha. O número indica que o senador enfrenta dificuldades para ampliar sua base de apoio, especialmente em estados como o Ceará, onde o governo Lula é popular. A disputa na federação União-PP reflete o cenário nacional, em que o Centrão oscila entre as candidaturas de Bolsonaro e Lula.

Nacionalmente, a federação União-PP tende à neutralidade, mas as decisões estaduais podem ter impacto na aritmética eleitoral. O Ceará é um estado estratégico, com grande colégio eleitoral e forte peso político do PT. Para Flávio Bolsonaro, conseguir o apoio da federação seria um trunfo, mas a resistência interna mostra que o caminho é acidentado.

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Próximos passos

A decisão do TRE-CE na quinta-feira pode definir o rumo das alianças no estado. Se os juízes validarem a convenção do diretório, Ciro Gomes terá o apoio formal da federação. Caso contrário, a aliança com o PT poderá ser concretizada, fortalecendo a candidatura de Elmano de Freitas. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro tenta reverter a rejeição e ampliar seu leque de apoios, mas o episódio no Ceará mostra a força das dissidências internas no Centrão.