O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu em defesa do vídeo produzido com inteligência artificial (IA) que recriou a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro, exibido durante a convenção nacional do partido no último sábado. Em meio ao questionamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o uso da peça, o senador afirmou que a campanha estudou previamente a legislação eleitoral e concluiu que não havia irregularidade.
Defesa jurídica do vídeo
Segundo Flávio, Jair Bolsonaro não tinha conhecimento de que o vídeo seria exibido. A decisão partiu da campanha, que sustentou que a peça respeitou as regras da Justiça Eleitoral por informar, logo no início, que a imagem e a voz haviam sido recriadas por IA. "Nós estudamos a legislação e vimos que não tinha nada de errado. A legislação diz, em tese, que durante as eleições você não pode usar IA para promover mentiras, fazer apoio a um candidato ou ataque sempre que tiver a intenção de ludibriar", afirmou o senador durante transmissão nas redes sociais. Ele reiterou que o vídeo atendia aos requisitos legais: "Legalmente está tudo certo. Ele começa dizendo que é feito por inteligência artificial. E ele nada mais faz do que pedir apoio ao Flávio Bolsonaro".
Emoção e estratégia política
Flávio também destacou o significado pessoal da exibição, diante da impossibilidade de o pai participar da campanha. Disse ter se emocionado porque a gravação permitiu que os apoiadores voltassem a ouvir a voz do ex-presidente após mais de um ano. "Eu fiquei muito emocionado porque tem mais de um ano que vocês não ouvem a voz do meu pai. Então, quando apareceu o vídeo de IA, fiquei emocionado porque queria muito que ele estivesse com a gente", declarou. As declarações reforçam a estratégia jurídica já adotada pela defesa de Bolsonaro e pela campanha do PL. Como mostrou o GLOBO, os advogados do ex-presidente informaram ao STF que ele não foi comunicado previamente sobre a produção nem sobre a exibição do vídeo, e que toda a iniciativa partiu da campanha presidencial de Flávio e do Partido Liberal.
Riscos para a campanha
A manifestação foi enviada após Moraes determinar que a defesa esclarecesse se Bolsonaro autorizou o uso de sua imagem. Na decisão, o ministro apontou que, caso o ex-presidente tenha dado anuência, poderia haver descumprimento das medidas cautelares impostas para a manutenção de sua prisão domiciliar humanitária, que o impedem de fazer manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros. Se não houve autorização, Moraes indicou que caberá apurar eventual responsabilidade da campanha de Flávio e do PL pelo uso de conteúdo sintético sem consentimento. Nos bastidores da campanha, aliados do senador reconhecem que a estratégia reduz os riscos para Bolsonaro, mas pode ampliar o foco das investigações sobre a campanha presidencial.



