O Grêmio deu adeus à Copa Sul-Americana ainda nos playoffs das oitavas de final. Em partida disputada na noite desta quinta-feira, na Arena, em Porto Alegre, o time gaúcho foi superado pelo Bolívar por 1 a 0 e ficou pelo caminho na competição continental. O resultado negativo, somado à atuação sem brilho, provocou reação imediata da torcida, que vaiou o técnico Luís Castro durante boa parte do jogo e voltou a pedir o retorno de Renato Portaluppi ao comando da equipe.
Vaias e clima de pressão na Arena
Desde o apito inicial, o ambiente na Arena foi de cobrança. A cada erro de passe, a torcida demonstrava impaciência. No segundo tempo, os gritos de “Renato” se tornaram frequentes nas arquibancadas, em um recado claro à diretoria. O episódio aumenta a pressão sobre o trabalho de Luís Castro, contratado no início da temporada para dar uma nova identidade ao time.
No quadro A Voz da Torcida, o torcedor Queki foi enfático: “Nada sustenta mais o trabalho do Luís Castro”. A opinião reflete o sentimento de parte dos gremistas após mais uma eliminação precoce.
Castro assume responsabilidade pela derrota
Em entrevista coletiva realizada após a partida, Luís Castro disse que as vaias foram direcionadas a ele e não aos jogadores. O treinador reconheceu que o trabalho feito no dia a dia não está se refletindo nos resultados dentro de campo.
“As vaias foram para mim. Não houve vaias para os jogadores. As vaias foram todas para o Luís Castro, não foram para eles. Os jogadores deram tudo deles e a torcida reconheceu e os apoiou sempre ao longo de todo o jogo. Eu acho que todos nós que estamos aqui no auditório entendemos que o resultado não foi aquilo que nós queríamos”, declarou.
Castro também afirmou que o time criou chances suficientes para vencer, mas esbarrou na falta de eficiência. A eliminação marca a quinta vez consecutiva em que o Grêmio cai em mata-matas de Libertadores e Sul-Americana, um retrospecto que acirra ainda mais as críticas ao comandante.
Números que não mudam o placar
O técnico citou números para tentar explicar a atuação do time. O Grêmio terminou a partida com 31 finalizações, marca que, segundo Castro, é recorde em toda a sua carreira. A equipe também teve 65% de posse de bola, dominando as ações do jogo.
“As 31 finalizações não contam nada quando perdemos. Os 65% de posse de bola não valem nada quando perdemos, mas é um indicador que tivemos sempre por cima do jogo e que poderíamos ter ganho e não deveríamos ter perdido”, justificou o treinador.
Apesar do domínio, o Grêmio não conseguiu converter as chances em gols, e o Bolívar aproveitou uma das poucas oportunidades que teve para abrir o placar e administrar o resultado até o apito final.
Escalação com novidades e justificativas
Castro iniciou a partida com um time repleto de mudanças. Pedro Gabriel foi escalado na lateral esquerda, e o meio-campo foi montado com Dodi, Nardoni e Noriega. Após o intervalo, com o placar em 1 a 0, o treinador promoveu alterações e colocou em campo Gabriel Mec e Villasanti.
Questionado sobre a escalação inicial, o técnico afirmou que precisa fazer a gestão do elenco e preservar atletas que não estão em condições físicas ideais.
“Villasanti não está pronto para fazer jogos e jogos. Weverton tinha tido um problema e não tinha se recuperado totalmente. Marlon é um jogador que estava parado há meses, sem capacidade para fazer jogos. Portanto, tivemos que fazer essas alterações”, explicou.
Próximo desafio: Copa do Brasil
O Grêmio agora precisa virar a chave para a Copa do Brasil, competição que, junto com o Campeonato Brasileiro, é tratada como prioridade pela comissão técnica. No domingo, às 18h, o time enfrenta o Mirassol no interior paulista, no jogo de ida das oitavas de final. A partida de volta está marcada para a quarta-feira seguinte, às 19h30, na Arena.
“Temos agora pela frente uma Copa do Brasil, com dois jogos que temos a certeza que são muito importantes para a dimensão do Grêmio. Queríamos continuar na Sul-Americana, queríamos continuar nela, mas sabíamos claramente que nossa prioridade de Campeonato e Copa são as nossas duas principais competições e são o objetivo fundamental, que vamos continuar por eles”, afirmou Luís Castro.
O futuro do treinador no cargo não foi definido. A diretoria gremista ainda não se pronunciou oficialmente, mas a sequência na Copa do Brasil tende a ser decisiva para a permanência de Castro. Uma nova eliminação, desta vez diante do Mirassol, pode selar o desfecho de uma passagem conturbada.



