A crise pública entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro já impacta a percepção do eleitorado sobre a pré-candidatura presidencial do filho do ex-presidente. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (3) revela que 37,8% dos entrevistados consideram que o conflito prejudica muito a candidatura de Flávio. Outros 26,3% avaliam que o desgaste enfraquece um pouco sua campanha, enquanto 22,4% não veem impacto eleitoral e 7,1% acreditam que o episódio fortalece o senador.
Interpretação do vídeo de Michelle
A pesquisa também investigou como os eleitores interpretam a decisão de Michelle de tornar pública a divergência com o enteado. Para 38,6% dos entrevistados, o principal objetivo do vídeo foi abrir espaço para que a ex-primeira-dama se torne candidata à Presidência no lugar de Flávio. Outros 28,5% enxergam a manifestação como consequência de divergências políticas e pessoais, e 22,3% entendem que Michelle buscava ampliar seu poder político dentro do PL.
O estopim do conflito foi o apoio de Flávio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará, posição criticada por Michelle, que defendia um nome alinhado ao grupo mais ideológico do bolsonarismo.
Base bolsonarista fecha fileiras com Flávio
Apesar do desgaste geral, a base de Jair Bolsonaro continua majoritariamente alinhada ao senador. Entre os eleitores que votaram em Bolsonaro em 2022, 65,5% desaprovam a decisão de Michelle de publicar o vídeo. Apenas 26,5% concordam com a atitude da ex-primeira-dama. Quando perguntados sobre quem tem razão na disputa, 43,2% dos bolsonaristas concordam com Flávio, contra 17,3% que apoiam Michelle.
A pesquisa também mostra que 53,8% dos eleitores de Bolsonaro apoiam a defesa de Flávio à candidatura de Ciro Gomes no Ceará, ponto central da discórdia. Além disso, 54,6% dos bolsonaristas afirmam não acreditar nas declarações de Michelle. Já no eleitorado geral, ocorre o inverso: 59,6% dizem acreditar nas acusações da ex-primeira-dama.
Lealdade a Jair Bolsonaro
A AtlasIntel também mediu a percepção de fidelidade das principais lideranças da direita ao ex-presidente. Na avaliação geral, Flávio é o nome mais identificado com as orientações políticas do pai: 38,3% dos entrevistados o consideram o filho ou aliado mais fiel. Michelle é citada por 15,5%, enquanto 30,9% afirmam que ambos demonstram o mesmo grau de lealdade.
Entre os eleitores de Bolsonaro, 79% consideram Flávio totalmente leal ao ex-presidente. Eduardo Bolsonaro aparece em seguida, com 72%, seguido por Nikolas Ferreira (67%), Tarcísio de Freitas (58%) e Michelle Bolsonaro (54%).
Relevância de Michelle para a campanha
Apesar do cenário, a pesquisa indica que Michelle continua relevante para a campanha do PL. Para 28,9% dos entrevistados, seu apoio é muito importante para Flávio; 26,5% classificam como importante; 16,3%, como pouco importante; e 11,7% dizem que não tem importância.
Os resultados ajudam a explicar o esforço da campanha de Flávio para recompor a relação com a ex-primeira-dama. Pesquisa anterior da AtlasIntel, divulgada na quarta-feira, mostrou que o senador perdeu apoio justamente entre mulheres e evangélicos, segmentos nos quais Michelle consolidou influência desde que assumiu a presidência do PL Mulher.
A AtlasIntel entrevistou 4.999 eleitores entre os dias 26 e 30 de junho. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04582/2026.



