O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manifestou nesta terça-feira (2) seu descontentamento com as cobranças para que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 seja aprovada com rapidez. Em discurso no plenário, ele afirmou que a Casa não atuará como mera 'carimbadora' do texto já aprovado pela Câmara dos Deputados, mas evitou tomar uma posição definitiva sobre o mérito da proposta.
Alcolumbre defende debate aprofundado
— Não é razoável que a Câmara passe cinco meses debatendo um tema tão relevante para o Brasil e que o Senado seja obrigado a carimbar. Essa é a minha percepção, que não é a favor nem contra. É a favor do debate — declarou o senador.
Alcolumbre também criticou a pressão exercida nas redes sociais em torno da PEC. — Todas as vezes somos obrigados a escolher um lado. Calma, não me obrigue, não me ameace, não me ofenda, não me ataque. Vou com minha consciência e meu coração, no tempo adequado, decidir meu voto — afirmou.
O que prevê a proposta
A PEC, aprovada na semana passada pela Câmara, estabelece dois dias de folga por semana já neste ano e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais em um prazo de 14 meses, após a conclusão da votação nas duas Casas legislativas.
Tramitação no Senado
Alcolumbre descartou a votação direta da PEC no plenário do Senado e indicou que o texto passará pelas comissões. Está prevista uma reunião de líderes na terça-feira da próxima semana para definir o calendário e por qual comissão a proposta começará. A ideia é que ela seja analisada inicialmente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador governista Otto Alencar (PSD-BA).
— A presidência do Senado fará uma reunião na próxima semana com os líderes partidários e o senador Otto Alencar, presidente da CCJ, que tem sob essa comissão o dever de discutir a proposta — explicou Alcolumbre.
Nos bastidores, o presidente do Senado sinalizou a aliados seu incômodo com a forma como a PEC foi aprovada na Câmara. A avaliação é de que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), acelerou a tramitação ao aprovar a iniciativa no mesmo dia na comissão especial e no plenário. Apesar disso, há o entendimento de que dificilmente o texto será barrado pelos senadores, devido à forte pressão popular.



