Mauro Vieira busca reverter tarifas dos EUA em evento da OCDE em Paris
Vieira tenta reverter tarifas dos EUA em Paris

Nesta quarta-feira (3), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, participa de um evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em Paris. No mesmo local, estará presente o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos (USTR). Greer lidera o órgão responsável pela recomendação das novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O governo brasileiro articula um encontro entre os dois para que Vieira possa apresentar argumentos contra a proposta de novo tarifaço.

Alckmin comenta oportunidade

Questionado na terça-feira sobre os passos do governo para reverter a medida, o vice-presidente Geraldo Alckmin mencionou a oportunidade no evento da OCDE. "O presidente Lula vai falar sobre isso, o diálogo é permanente. Não tem nada marcado, mas é permanente. Tem diálogo entre o USTR e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), o nosso chanceler (Mauro Vieira) estará em Paris, onde estará também o embaixador Greer", disse Alckmin.

Investigação da Seção 301

Nesta terça-feira (2), Greer comentou o resultado das investigações da seção 301 sobre o Brasil, afirmando que as tarifas de 25% propostas são "bastante diferenciadas" devido às exclusões de carne bovina, café, metais, energia e outros produtos. Segundo ele, as investigações apontaram "práticas desleais" do comércio brasileiro. Greer tem sido um dos principais representantes do governo Trump na negociação de acordos bilaterais em meio ao tarifaço. Segundo dados do Mdic, as novas tarifas de 25% devem atingir cerca de 21% da exportação brasileira para os Estados Unidos.

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Governo critica motivação política

Em nota, o governo afirmou que a investigação da USTR teve origem em uma articulação política ligada à família Bolsonaro e acusa aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de atuarem contra os interesses do país. "É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares", diz o texto. O governo também criticou a inclusão do Pix entre os alvos da investigação americana. O sistema de pagamentos instantâneos operado pelo Banco Central foi citado pelo USTR como um exemplo de prática que prejudicaria concorrentes privados dos Estados Unidos.

Próximos passos

O governo brasileiro avalia abrir mais espaço para produtos americanos para evitar o novo tarifaço. Um dos setores que interessam aos EUA é o de equipamentos usados na área de saúde. O presidente Lula disse que espera um telefonema de Trump para explicar as últimas medidas dos EUA. Lula ironizou a queixa americana sobre o sistema de pagamentos e cobrou explicações sobre a taxação de 25% aplicada antes do fim do prazo das negociações ministeriais.

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