O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (21) que os EUA vão atacar a montanha de Pickaxe, na região central do Irã, 'muito em breve'. A montanha fica próxima à instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, que está fortemente danificada. Não é a primeira vez que o republicano fala sobre o local: no último dia 13, Trump já havia afirmado que os EUA iriam 'eliminar a montanha de Pickaxe' durante uma entrevista ao radialista conservador Hugh Hewitt. 'Digam aos iranianos para estarem preparados [...] provavelmente vamos atacar Pickaxe em um futuro relativamente próximo', declarou o presidente há uma semana.
O que é a montanha de Pickaxe
A montanha citada por Trump abriga o coração do programa nuclear iraniano. Ao lado dela fica a usina de enriquecimento de urânio de Natanz, uma das principais instalações nucleares do país. A região é uma das áreas mais protegidas pelo governo iraniano. Localizada a cerca de 300 quilômetros ao sul de Teerã, a montanha esconde instalações subterrâneas construídas para resistir a bombardeios. A área foi atacada recentemente por Israel e pelos Estados Unidos, mas ainda não está claro qual foi a extensão dos danos.
Estruturas subterrâneas e suspeitas
Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, há dois grandes complexos de túneis escavados sob a montanha. Não se sabe ao certo o que há nessas estruturas, mas há suspeitas de que elas abriguem equipamentos essenciais para enriquecer urânio. O urânio altamente enriquecido pode ser usado na produção de armas nucleares. Por outro lado, o Irã afirma que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos. Para atingir as instalações escondidas na montanha, seriam necessárias bombas perfuradoras, também conhecidas como antibunker. Esse tipo de armamento é projetado para atravessar o solo antes de explodir e destruir bunkers, estruturas fortificadas construídas abaixo da superfície.
Ataques anteriores e armamento
No ataque conduzido pelos EUA à região em março deste ano, o jornal israelense Haaretz afirmou que foram usadas bombas antibunker. Os norte-americanos não confirmaram oficialmente a operação nem informaram qual armamento teria sido empregado. A principal arma dos Estados Unidos para atingir alvos subterrâneos é a GBU-57 A/B, conhecida como MOP — sigla de Massive Ordnance Penetrator (Penetrador Massivo de Artilharia). Com cerca de 14 toneladas e seis metros de comprimento, a bomba foi projetada para atravessar solo, concreto e rochas antes de explodir, com o objetivo de destruir bunkers e outras instalações enterradas a dezenas de metros de profundidade.
Capacidade da GBU-57 e riscos
Segundo a Força Aérea dos EUA, atualmente apenas o bombardeiro furtivo B-2 Spirit pode transportar e lançar esse armamento. Estimativas indicam que a GBU-57 consegue penetrar cerca de 61 metros abaixo da superfície antes da explosão. Em uma mesma operação, várias bombas podem ser lançadas em sequência para atingir alvos ainda mais profundos. Apesar de usar uma ogiva convencional, especialistas alertam que um ataque contra instalações nucleares pode liberar material radioativo, dependendo do alvo atingido. Mesmo com o alto poder de destruição da GBU-57, especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que os túneis sob a montanha de Pickaxe podem ter sido construídos em profundidade suficiente para resistir até mesmo à bomba antibunker mais poderosa do arsenal americano.



