A decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas gerou reações no Brasil. O Secretário de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Cesar Carvalho dos Santos, comemorou a medida nas redes sociais, mas apagou a publicação horas depois.
Comemoração e polêmica
Em seu perfil no Instagram, Santos compartilhou uma imagem com a bandeira dos Estados Unidos e a frase "Orgulho define. Parabéns, amigos". A postagem, feita nos stories, foi removida rapidamente. A atitude gerou debates sobre os impactos da classificação.
Contexto internacional
O secretário também esteve na Itália com o general Michele Carbone, diretor da Direção de Investigação Antimáfia (DIA), para discutir a atuação do CV na Europa. A estratégia, segundo ele, é atacar as facções por meio da perda de patrimônio e redução de lucros.
Especialistas alertam para riscos
Vitor de Pieri, pesquisador e professor do Instituto de Geografia da Uerj, defende cautela. "Embora a decisão amplie instrumentos de cooperação internacional, existem ressalvas importantes. A definição de terrorismo difere da de crime organizado: o terrorismo tem motivação política, enquanto facções buscam lucro", explica.
O professor alerta que a classificação pode banalizar o termo e gerar confusões conceituais. Além disso, pode afetar a soberania nacional, abrindo espaço para mecanismos agressivos de monitoramento financeiro e sanções extraterritoriais.
Impactos na soberania
"A decisão dos EUA pode ampliar a margem de atuação externa sobre temas tradicionalmente nacionais. Não se trata de negar a cooperação, mas de reconhecer que a classificação produz efeitos além do combate ao crime", afirma De Pieri.
A medida entra em vigor em 5 de junho e, segundo especialistas, pode influenciar as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.



