O empresário Jamshid Ghomi, de 63 anos, foi preso na Califórnia sob acusação de participar de um esquema para enviar equipamentos de tecnologia dos Estados Unidos ao Irã, em desrespeito às sanções impostas por Washington ao país. A informação foi divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Detalhes da acusação
Segundo as autoridades, Ghomi é CEO da empresa iraniana Faraz Pardaz Rayaneh (FPR), com sede em Teerã. Ele teria coordenado a compra e exportação de produtos de rede, comunicação e criptografia para clientes iranianos entre 2014 e 2023. Os equipamentos eram enviados ao Irã por meio de intermediários em países como os Emirados Árabes Unidos.
A investigação aponta que mais de 250 toneladas de equipamentos de rede foram exportadas ao Irã entre 2014 e 2018. De acordo com a acusação, a FPR forneceu tecnologia ao Ministério da Defesa e Logística das Forças Armadas do Irã e à Organização de Energia Atômica do Irã, ligada ao programa nuclear do país.
Compras fracionadas para evitar controles
Os investigadores afirmam que Ghomi realizou mais de 400 compras separadas de equipamentos em plataformas como eBay e PayPal para evitar controles de exportação. Os produtos eram adquiridos nos Estados Unidos e posteriormente enviados ao Irã por empresas intermediárias localizadas em outros países.
Segundo o Departamento de Justiça, o esquema funcionou durante anos apesar das restrições comerciais impostas ao governo iraniano. A investigação também aponta a movimentação de mais de US$ 15 milhões por meio de operações financeiras envolvendo Hong Kong, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Ilhas Virgens Britânicas.
Mansão financiada com recursos ilícitos
Os promotores afirmam que parte dos recursos foi utilizada para financiar uma mansão em Newport Coast, na Califórnia, onde Ghomi foi preso. Segundo a acusação, o empresário declarou parte desses valores à Receita americana como herança recebida do exterior.
Contexto de tensão com o Irã
A prisão ocorre em um momento de aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã. Washington acusa Teerã de buscar capacidades nucleares com potencial uso militar, enquanto o governo iraniano nega que tenha intenção de desenvolver armas atômicas. Autoridades americanas afirmam que a investigação faz parte de um esforço mais amplo para combater redes internacionais que tentam driblar sanções econômicas e exportar tecnologia sensível ao Irã.
Ghomi responde por conspiração para violar a legislação americana de sanções internacionais e por lavagem de dinheiro. Caso seja condenado, poderá cumprir até 20 anos de prisão.



