A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (23) uma resolução que busca encerrar a autorização para o uso da força militar contra o Irã. A medida, aprovada por 224 votos a 194, é uma nova repreensão simbólica ao presidente Donald Trump, que ordenou o ataque que matou o general iraniano Qasem Soleimani em janeiro.
Detalhes da resolução
A resolução, de autoria da deputada democrata Barbara Lee, exige que o presidente retire as tropas americanas do conflito com o Irã em 30 dias, a menos que o Congresso aprove uma nova autorização. A votação ocorre em meio a tensões crescentes entre Washington e Teerã, após o assassinato de Soleimani e a resposta iraniana com mísseis contra bases americanas no Iraque.
Impacto político
Embora a resolução tenha caráter simbólico, já que Trump pode vetá-la e a maioria republicana no Senado deve barrá-la, o gesto reforça a insatisfação do Legislativo com a condução da política externa. "O Congresso não pode mais ficar em silêncio enquanto o presidente nos leva à beira de uma guerra desnecessária", afirmou a deputada Lee durante o debate.
Segundo dados oficiais, cerca de 5.200 soldados americanos estão destacados no Iraque, e a resolução não afeta diretamente as operações contra o Estado Islâmico. A medida também não impede ações defensivas imediatas.
Reações
A Casa Branca classificou a resolução como "politicamente motivada" e afirmou que Trump agiu dentro de suas atribuições constitucionais. "O presidente tem o dever de proteger os americanos", disse a porta-voz Kayleigh McEnany. Já os democratas argumentam que a Constituição reserva ao Congresso o poder de declarar guerra.
A votação ocorre num momento em que o governo Trump enfrenta críticas por sua estratégia no Oriente Médio, incluindo o recente aumento de ataques a embaixadas e tropas dos EUA na região.



