O vereador Tiago Peretto (Podemos) está sob ameaça de perder o mandato em São Vicente, litoral paulista. O Ministério Público Eleitoral (MPE) já se manifestou favoravelmente à ação por infidelidade partidária movida contra ele, conforme apurado pelo g1 nesta terça-feira (23). Peretto é irmão de Igor Peretto, assassinado a facadas em Praia Grande (SP) em agosto de 2024.
O que é infidelidade partidária?
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a infidelidade partidária ocorre quando um político não segue as diretrizes do partido pelo qual foi eleito ou o abandona sem justificativa. No caso de Tiago Peretto, ele foi eleito vereador pelo União Brasil em 2024, mas migrou para o Podemos em 2026, sem apresentar motivo aceito pela legislação.
Quem moveu a ação?
O pedido de cassação foi apresentado pelo primeiro suplente do União Brasil na Câmara Municipal de São Vicente, Anderson de Jesus Laureano, conhecido como Dercinho Negão do Caminhão. Ele alega que a desfiliação de Peretto ocorreu sem justa causa e busca assumir a vaga.
Em nota ao g1, Peretto disse estar confiante: “Quem me deu o mandato foi o povo e não o partido. Isso nada mais é que uma perseguição e uma inveja absurda por conta da votação histórica que tive. Como tudo para mim sempre foi difícil e com vitória no final, com certeza sairemos vitoriosos mais uma vez.” Ele afirmou que o processo é acompanhado por seu advogado e pela presidente do Podemos.
Parecer do MPE
Na manifestação, o procurador regional eleitoral Eduardo Pelella concluiu que não houve justa causa para a troca partidária. Ele deu parecer favorável à perda do mandato e à posse do suplente. O documento ressalta que Dercinho tem interesse jurídico direto, pois a procedência da ação pode alterar a composição da Câmara Municipal.
Agora, cabe ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) decidir se acata ou não a recomendação do MPE. O g1 não conseguiu contato com Dercinho até o fechamento desta reportagem.
O assassinato de Igor Peretto
Igor Peretto foi morto em 31 de agosto de 2024, no apartamento de sua irmã, Marcelly Peretto. No local estavam a vítima, Marcelly e Mário Vitorino. A viúva de Igor, Rafaela, chegou com Marcelly ao imóvel, mas saiu 13 segundos antes de Igor e Mário entrarem. Segundo depoimentos, Rafaela tinha um caso com Mário. O advogado de Marcelly afirmou que ela e Rafaela tiveram um envolvimento amoroso antes da chegada dos homens.
Igor foi morto a facadas. Laudo necroscópico obtido pelo g1 aponta que ele teria ficado tetraplégico se sobrevivesse. As mulheres se entregaram e foram presas em 6 de setembro; Mário foi detido em 15 de setembro, escondido na casa de um tio de Rafaela, em Torrinha (SP).
Decisão judicial
O juiz Felipe Esmanhoto Mateo determinou a soltura de Rafaela, desclassificando-a da denúncia por falta de provas de participação no crime. Já Mário e Marcelly irão a júri popular por homicídio triplamente qualificado: motivo torpe (relacionamento entre os acusados), meio cruel (golpes de faca) e recurso que dificultou a defesa (vítima desarmada e atacada por pessoa próxima).



