Um vídeo criado por inteligência artificial (IA) exibido durante um ato do Partido Liberal (PL) na última semana gerou forte contestação por parte de adversários políticos e especialistas em tecnologia. O material, que circulou em redes sociais e em telões do evento, mostrava o candidato do partido em situações idealizadas, mas foi rapidamente apontado como uma tentativa de manipulação eleitoral.
O conteúdo do vídeo
O vídeo, de aproximadamente 30 segundos, exibia o candidato do PL em um cenário de desenvolvimento econômico, com obras e empregos sendo gerados. No entanto, a oposição alegou que as imagens eram totalmente fabricadas por IA, sem qualquer base em fatos reais. "É uma tentativa de enganar o eleitor com mentiras tecnológicas", afirmou o coordenador da campanha adversária, em nota oficial.
Reações e contestações
A contestação partiu principalmente de partidos de esquerda e de organizações de defesa da democracia. Eles protocolaram uma representação na Justiça Eleitoral pedindo a retirada do vídeo e a aplicação de multa por propaganda enganosa. "O uso de IA para criar falsas realidades ameaça a integridade do processo eleitoral", disse um representante do Ministério Público Eleitoral, sob condição de anonimato.
Posição do PL
O PL, por sua vez, defendeu o uso da tecnologia. Em comunicado, o partido afirmou que "o vídeo é uma ferramenta lícita de comunicação política, amparada pela liberdade de expressão". A legenda também argumentou que não há obrigação legal de rotular conteúdos gerados por IA, embora especialistas apontem que a falta de transparência pode configurar abuso de poder.
Impacto e próximos passos
A polêmica reacendeu o debate sobre a regulação da inteligência artificial na política. Segundo pesquisa do instituto DataSenado, 68% dos brasileiros defendem que vídeos com IA sejam obrigatoriamente identificados. O caso deve ser julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral nas próximas semanas, podendo estabelecer um precedente importante para as eleições de 2026.



