O senador Renan Calheiros (MDB-AL) classificou como "autossabotagem" as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que questionam a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras. Em pronunciamento no plenário do Senado nesta quarta-feira, Renan afirmou que os ataques ao sistema eleitoral representam um risco à democracia e uma estratégia política equivocada.
Críticas de Renan ao discurso de Flávio
Renan Calheiros destacou que as urnas eletrônicas são reconhecidas internacionalmente pela segurança e transparência. "Atacar as urnas é autossabotagem. É jogar contra o próprio país e contra a credibilidade do processo eleitoral", disse o senador. Ele lembrou que o sistema foi auditado por entidades internacionais e nunca houve comprovação de fraudes.
Flávio Bolsonaro, em evento no Rio de Janeiro na terça-feira, voltou a criticar o modelo eletrônico de votação, defendendo a impressão do voto. A fala gerou reações de diversos políticos, incluindo membros da base governista.
Repercussão política
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também se manifestou, afirmando que as urnas são seguras e que o Congresso não aceitará questionamentos infundados. "O Brasil tem um dos sistemas eleitorais mais modernos do mundo. Não podemos permitir que discursos golpistas enfraqueçam nossa democracia", declarou Pacheco.
Em nota, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçou que as urnas eletrônicas são auditáveis e que nunca foram constatadas fraudes em eleições desde sua implementação, em 1996. O órgão informou que mais de 150 milhões de brasileiros votarão em outubro com total segurança.
Contexto das declarações
A fala de Flávio Bolsonaro ocorre em meio a um cenário de polarização política, com as eleições presidenciais se aproximando. Analistas apontam que o discurso de desconfiança nas urnas pode influenciar a percepção dos eleitores e gerar instabilidade. Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra que 87% dos brasileiros confiam nas urnas eletrônicas.
Renan Calheiros concluiu seu discurso pedindo união em defesa do processo eleitoral. "Não podemos permitir que interesses pessoais coloquem em xeque a vontade popular. As urnas são a expressão da soberania nacional", afirmou.



