O apoio à permanência do senador Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado vem perdendo força entre integrantes das bancadas do PT e de partidos da base diante do potencial de desgaste para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma reunião entre o chefe do Executivo e o parlamentar, prevista para esta quinta-feira, pode selar o destino de Wagner.
Explicações insuficientes geram desconfiança
Parlamentares do PT e de partidos da base afirmam reservadamente que as explicações apresentadas pelo aliado histórico do presidente desde a operação não foram suficientes para dissipar dúvidas sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e seu ex-sócio Augusto Lima. A avaliação é compartilhada por integrantes do Palácio do Planalto, que já defendem internamente uma saída de Wagner da liderança para evitar que o caso continue sendo associado ao governo e à campanha de reeleição.
Primeira defesa pública de afastamento
O mal-estar em torno da permanência de Wagner na liderança começou a aparecer ainda no dia da operação. Um dos poucos parlamentares do PT a defender publicamente o afastamento do senador foi o deputado Rogério Correia (PT-MG), que publicou nas redes sociais que, “na condição de investigado”, o líder do governo deveria deixar o cargo para se dedicar à própria defesa, preservada a presunção de inocência. Na mesma manifestação, porém, o parlamentar procurou desvincular o governo do escândalo e sustentar a narrativa adotada por parte do PT de que o caso teria origem em relações construídas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Cresce pressão nos bastidores
Nos dias seguintes, outros parlamentares evitaram defender publicamente a permanência de Wagner na liderança e, embora a maior parte da bancada continue afirmando confiar na inocência do senador, cresce reservadamente a avaliação de que sua saída do posto pode ser necessária para evitar que o caso continue contaminando o governo e a campanha de reeleição de Lula. Segundo parlamentares ouvidos pelo GLOBO na Câmara e no Senado, a principal dificuldade tem sido sustentar politicamente as explicações apresentadas por Wagner desde a operação. Integrantes da base afirmam que o senador não conseguiu convencer parte dos aliados ao justificar suas ligações com a teia de Vorcaro.
Entrevista expõe Lula desnecessariamente
Também causou desconforto entre governistas a entrevista concedida por Wagner à BandNews após a operação. Integrantes do PT avaliam que o senador acabou expondo Lula desnecessariamente ao mencionar conversas com o presidente e ao afirmar que o petista já enfrentou situações mais graves no passado. O movimento também é percebido entre aliados próximos do senador. Um dos principais interlocutores de Wagner na Casa é o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA) e, segundo relatos de interlocutores, Otto tem dito que o líder do governo não o procurou para discutir o caso. Reservadamente, o senador baiano também tem argumentado a pessoas próximas que não pretende se envolver na discussão por se tratar de um assunto interno do PT, enquanto ele pertence ao PSD, ou seja, o assunto não compete a ele.
Partido mantém apoio, mas vê necessidade de afastamento
O movimento ocorre poucos dias depois de manifestações públicas de apoio ao senador feitas por dirigentes do partido. Na semana passada, o presidente nacional do PT e coordenador da campanha à reeleição de Lula, Edinho Silva, afirmou que Wagner era depositário da confiança da legenda e ele comprovaria sua inocência. Petistas dizem não ver contradição entre a defesa feita por Edinho e a pressão para Wagner sair da liderança. Há um entendimento que ele virou um problema para o governo, mas não para o partido. Mesmo com a insatisfação, a cúpula do partido diz confiar que Wagner vai provar sua inocência e que a legenda vai dar estrutura para ele fazer sua defesa política, além de contar com o apoio para a campanha de reeleição ao Senado.
Estratégia para estancar crise
Há uma avaliação de aliados do governo de que o escândalo do Master ainda tem mais potencial de desgastar Flávio do que Lula, mas que para é preciso estancar a crise afastando Wagner da liderança. Aliados do governo citam que o próprio Flávio já teve relações com Daniel Vorcaro, dono do Master, expostas, e que, no caso da campanha do PT, o que apareceu foi uma relação envolvendo um senador do partido não do candidato à Presidência. O entendimento de governistas é que, toda vez que Jaques Wagner fizer um encaminhamento ou até dar qualquer discurso no Senado na condição de líder do governo, será uma maneira de trazer o caso Master para perto de Lula.



