A Polícia Federal concluiu que o comprador do imóvel vendido pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) não realizou saques em dinheiro em datas próximas à transação, contradizendo a versão do parlamentar de que os R$ 468,7 mil apreendidos com ele seriam provenientes da venda. A informação consta em relatório da PF obtido pelo jornal O Globo.
Detalhes da investigação
De acordo com o documento, a PF analisou extratos bancários de Thiago Ferreira de Paula, que teria comprado o imóvel de Sóstenes por R$ 470 mil em espécie. A análise não identificou nenhum saque de valor compatível nos dias anteriores à suposta compra. O relatório aponta que a escritura do imóvel foi registrada em cartório apenas após a apreensão do dinheiro, em 18 de dezembro de 2024, o que levanta suspeitas sobre a veracidade da transação.
Versão do parlamentar
Sóstenes Cavalcante foi alvo de busca e apreensão da PF no âmbito de um inquérito que investiga a origem de recursos usados para pagar despesas pessoais e de campanha. O deputado afirmou que o dinheiro apreendido era resultado da venda de um imóvel de sua propriedade. Em nota, a defesa de Sóstenes disse que “a transação foi lícita e devidamente registrada” e que “o comprador optou por pagar em espécie, o que é permitido por lei”.
Contradições apontadas pela PF
A PF, no entanto, destaca que não há comprovação de que Thiago Ferreira de Paula tivesse disponibilidade de tal quantia em espécie na época. “Não foram identificados saques em dinheiro em montante compatível com o valor da compra do imóvel, nem mesmo em datas próximas”, diz trecho do relatório. A investigação também aponta que o comprador não declarou renda ou patrimônio que justificasse a posse de R$ 470 mil em espécie.
Impacto político
O caso ganhou repercussão política por envolver um dos líderes do Partido Liberal na Câmara dos Deputados. Sóstenes é próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro e tem atuação destacada na bancada evangélica. A oposição já pediu abertura de comissão parlamentar de inquérito para investigar o assunto. A PF continua as investigações para determinar a origem real do dinheiro apreendido.



