A Polícia Federal (PF) deflagrou operação nesta quarta-feira (1º) que resultou na apreensão de R$ 468 mil em dinheiro vivo em um endereço ligado ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados. A investigação aponta uma teia de empresas e pessoas físicas envolvidas na movimentação do montante, e os agentes federais identificaram contradições na versão apresentada pelo parlamentar sobre a origem dos recursos.
Etiquetas bancárias e a rede de empresas
Segundo a PF, os investigadores chegaram à rede alvo da operação a partir das etiquetas bancárias apreendidas junto com o dinheiro localizado em poder de Sóstenes. As cédulas estavam organizadas em maços com etiquetas que indicavam os bancos de origem, permitindo rastrear os saques e as contas envolvidas. A análise preliminar aponta que os valores foram sacados de contas de pelo menos duas empresas: a Ejus e a Foco, ambas administradas por irmãos.
As empresas Ejus e Foco, segundo a PF, realizaram movimentações financeiras complexas nos meses anteriores à apreensão, com múltiplos saques em espécie que somam exatamente R$ 468 mil. Os investigadores suspeitam que essas transações foram estruturadas para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
Contradição na versão do parlamentar
Em depoimento anterior, Sóstenes Cavalcante afirmou que o dinheiro apreendido era proveniente da venda de um apartamento de sua propriedade. No entanto, a PF aponta que as etiquetas bancárias e os registros de saques das empresas Ejus e Foco contradizem essa versão. "O parlamentar não conseguiu explicar a relação entre a venda do imóvel e os saques realizados por empresas das quais ele não é sócio", afirmou o delegado responsável pelo caso, em nota oficial.
A PF também identificou que o apartamento citado por Sóstenes foi vendido há mais de dois anos, por valor inferior ao montante apreendido, e que o comprador não tem relação com as empresas investigadas. "Há indícios de que o dinheiro tenha origem ilícita, possivelmente relacionada a práticas de lavagem de dinheiro", completou o delegado.
Impacto político e próximos passos
A operação ocorre em meio a um cenário político tenso, com Sóstenes Cavalcante sendo uma das principais lideranças da oposição na Câmara. O deputado ainda não se manifestou oficialmente sobre as novas revelações. A PF informou que as investigações continuam e que novas diligências estão sendo realizadas para identificar todos os envolvidos na rede de empresas.
O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá sobre a abertura de inquérito formal contra o parlamentar. Se confirmadas as suspeitas, Sóstenes pode responder pelos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.



