A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar o uso irregular de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares na produção do filme Dark Horse, longa-metragem baseado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A investigação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e as diligências já estão em andamento, conforme confirmou nesta quarta-feira (2) o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em entrevista coletiva em Belo Horizonte.
Ordem do STF e recursos sob suspeita
Segundo Rodrigues, a investigação foi aberta após determinação do Supremo e tem como objetivo esclarecer a destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina da Gama, sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme. A suspeita é de que os recursos, que deveriam ter finalidade social, tenham sido desviados para financiar a produção cinematográfica.
Defesa do deputado Mário Frias
Em maio, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) apresentou manifestação ao STF negando que tenha destinado emendas para o filme. O parlamentar afirmou que os recursos tiveram finalidade social e não foram empregados na realização de Dark Horse. A Go Up Entertainment também passou a ser alvo de outra investigação neste mês, incluída em uma operação que apura supostos desvios de recursos públicos em São Paulo.
Repercussão política e possíveis responsabilizações
O filme já havia gerado controvérsia anteriormente, quando vieram a público pedidos de recursos privados feitos pelo senador Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Agora, a apuração concentra-se na utilização de verbas públicas e poderá servir de base para eventuais responsabilizações nas esferas criminal, administrativa e cível, caso sejam identificadas irregularidades. A PF não detalhou o cronograma das investigações, mas afirmou que todas as medidas cabíveis serão adotadas.



