Mulher de 37 anos que fingiu ser criança é acolhida e ganha tratamento
Mulher de 37 anos que fingiu ser criança ganha tratamento

Mulher de 37 anos que fingiu ser criança é acolhida e ganha tratamento

Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, presa após confessar ter se passado por uma adolescente de 12 anos e enganado uma família por mais de um ano em Joinville (SC), teve uma série de despesas bancadas pelo casal que a acolheu, incluindo tratamento para obesidade e festa de aniversário. Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, as vítimas pagaram para a golpista um tratamento com o medicamento injetável Monjauro, composto por tirzepatida. A mulher é investigada por estelionato e falsa identidade. Ela teve a prisão em flagrante convertida em preventiva na quarta-feira (3).

Detalhes do golpe

Gusso detalhou que Amanda conviveu com a família de Joinville por 14 meses. Ela se apresentava para eles como Gabriele. O advogado Rafael Luiz Siewert, defensor dativo da suspeita, confirmou que Amanda vai passar por exames de sanidade mental. Segundo a ata da audiência de custódia, a investigada se aproximou da família por intermédio de um pastor da Igreja. Inicialmente, ela declarou ter 18 anos, experiência em panificação e disse que buscava oportunidade de emprego. Com o passar do tempo, no entanto, passou a relatar problemas de saúde e dificuldades financeiras, o que motivou o casal a acolhê-la temporariamente em casa.

Conquista de confiança

Após conquistar a confiança da família, a mulher teria alterado sua versão, afirmando ter apenas 11 anos e alegando ter sido vítima de abusos. O casal, então, se sensibilizou e permitiu que ela passasse a morar com eles. Acreditando na condição de vulnerabilidade infantil apresentada por ela, o pai e a mãe chegaram a organizar uma festa de 12 anos para a menina do suposto aniversário. "A menina não ia para a escola porque conseguiu convencer a família adotiva de que, se fosse para a escola, o 'pai abusador' saberia onde ela está", comentou o delegado.

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Reincidência criminal

Com a investigação, a Polícia Civil de Santa Catarina descobriu que Amanda Maria é reincidente nessa modalidade de golpes, tendo registros em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.

Como a família passou a suspeitar

Conforme o delegado, a menina "conseguiu sequestrar emocionalmente a família". "Era uma família com boa situação financeira, então ela levava uma vida de adolescente muito boa. Durante o período em que estava com a família, ela não recebia dinheiro diretamente, mas tudo que havia de bom e do melhor ela recebia", afirmou. O casal só procurou a polícia na semana passada, após a denúncia de um parente levar à descoberta do crime. "Foi uma tia não distante, mas que não convivia todo dia com ela, que nunca acreditou nessa história de que ela era menor de idade e começou a pesquisar na internet. Descobriu que teve um caso muito parecido no Rio de Janeiro, com o mesmo modus operandi, e contou para o pai adotivo", comentou o delegado.

O que diz a defesa

O defensor dativo Rafael Luiz Siewert afirmou: "Fui nomeado defensor dativo da investigada, uma vez que a Defensoria Pública não atua perante o Juízo de Garantias da Comarca de Joinville. Após a análise dos autos e entrevista com a custodiada, a defesa identificou elementos que justificaram o pedido de realização de exame de sanidade mental. O requerimento foi acolhido pelo Juízo, que determinou a realização de perícia oficial para avaliação de sua condição psíquica. Neste momento, a investigada permanece à disposição da Justiça em razão da decisão que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e da necessidade de realização do exame pericial já determinado. A defesa aguarda a conclusão da perícia técnica, que poderá contribuir para o adequado esclarecimento das circunstâncias relacionadas ao caso e para a adoção das medidas processuais cabíveis."

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