Morte digital de Bolsonaro completa um ano de exílio virtual
Morte digital de Bolsonaro completa um ano

Há exatamente um ano, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido ao que seus aliados chamam de 'morte digital', após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a exclusão de suas contas em redes sociais. A medida, que completa 12 meses, é vista por apoiadores como um 'exílio' virtual, impedindo Bolsonaro de se comunicar diretamente com sua base de seguidores.

Decisão de Moraes e reações

A determinação foi tomada no âmbito do inquérito das fake news e ataques ao STF, que investiga a disseminação de informações falsas e ameaças contra ministros da Corte. Na ocasião, Moraes argumentou que as postagens de Bolsonaro representavam risco à ordem pública e à integridade do processo eleitoral. Desde então, o ex-presidente está impedido de utilizar plataformas como Twitter, Facebook, Instagram e YouTube.

Para aliados próximos, a medida é desproporcional e configura censura. 'É um exílio digital, uma forma de calar a voz de milhões de brasileiros que o seguem', afirmou um assessor que preferiu não se identificar. A equipe de Bolsonaro já tentou reverter a decisão em diversas instâncias, mas até agora não obteve sucesso.

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Impacto político e estratégias alternativas

Sem acesso às redes, Bolsonaro passou a utilizar canais alternativos, como aplicativos de mensagens e eventos presenciais, para manter contato com eleitores. No entanto, a falta de alcance nas plataformas tradicionais reduziu significativamente sua capacidade de mobilização online. Segundo analistas políticos, a 'morte digital' contribuiu para o enfraquecimento de sua influência nas discussões políticas, especialmente entre os jovens.

Dados do Instituto Datafolha mostram que a aprovação de Bolsonaro caiu de 22% para 18% no último ano, embora outros fatores, como a inelegibilidade e os processos judiciais, também tenham impacto. 'A ausência nas redes limita a capacidade de pautar a agenda e de reagir a críticas em tempo real', explica o cientista político Carlos Melo.

O que dizem os juristas

Especialistas em direito digital divergem sobre a legalidade da medida. Para a advogada Patrícia Campos, a decisão de Moraes é 'excepcional e justificada pela gravidade das condutas investigadas'. Já o constitucionalista Marco Aurélio Carvalho critica: 'A suspensão por tempo indeterminado fere o princípio da proporcionalidade e a liberdade de expressão'. O caso deve ser analisado pelo plenário do STF nos próximos meses, sem data prevista.

Enquanto isso, Bolsonaro segue recorrendo. Em nota, sua defesa afirma que a 'morte digital' é uma 'violência política' e que buscará todas as instâncias nacionais e internacionais para reverter a situação. O ex-presidente, que já foi o político mais seguido do Brasil nas redes, agora observa de longe o debate público, na esperança de um dia retomar o megafone digital.

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