Julgamento é anulado após defesa abandonar plenário
O Tribunal do Júri que julgaria os três policiais militares acusados de participar da execução do empresário e delator do PCC Vinícius Gritzbach e do motorista de aplicativo Celso Novais foi anulado cerca de nove horas após ter início na segunda-feira (22). O novo julgamento foi remarcado para os dias 22, 23, 24, 25 e 26 de fevereiro de 2027, conforme decisão do juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo.
Entenda o que levou à anulação
A interrupção ocorreu quando o promotor de Justiça Rodrigo Merli Antunes mencionou que um dos advogados de defesa havia sido vítima de um suposto atentado em Sorocaba. Os defensores afirmaram que o episódio não tinha relação com o caso Gritzbach e consideraram a referência inadequada. Após o desentendimento, os advogados decidiram abandonar o plenário. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o julgamento não poderia prosseguir sem a presença da defesa. Em nota, o tribunal informou que "houve abandono do plenário por parte da defesa dos réus após desentendimento com o promotor e, por isso, dissolução do Conselho de Sentença".
Prisão preventiva mantida
Na decisão, o juiz manteve a prisão preventiva dos três réus: o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antonio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues. O magistrado entendeu que continuam válidos os motivos que justificaram a medida e que não houve qualquer mudança nos fatos que autorizasse a soltura. Segundo a decisão, Denis Antonio Martins e Ruan Silva Rodrigues são acusados de, em tese, terem efetuado disparos de fuzil contra Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, causando sua morte. Eles também teriam assumido o risco de matar outras três vítimas, o que resultou ainda na morte de Celso Novais. Já Fernando Genauro da Silva é acusado de participação nos crimes. Para o juiz, a gravidade dos fatos, a agressividade da ação e o risco que os réus representam à ordem pública justificam a manutenção da prisão.
Viúva de motorista morto protesta
Na saída do fórum, após o cancelamento do júri, Simone Dionizia Fernandes, viúva do motorista de aplicativo Celso Novais, se aproximou do advogado de defesa Claudio Dalledone, que concedia entrevista à imprensa, e o acusou de ter provocado a anulação do julgamento. Em meio à comoção, ela afirmou que o filho está há dois anos sem o pai e classificou a saída da defesa do plenário como uma estratégia. "Meu filho está há dois anos sem o pai em casa, e vocês cancelaram o julgamento. Isso não é justo. Estou há dois anos lutando por Justiça", disse. Simone afirmou ainda que a interrupção da sessão a fez reviver o trauma da morte do marido. "Foi um show lá dentro, foi uma estratégia da defesa, eles são atores. Estou sentindo tudo de novo, tudo veio à tona quando o juiz falou. Só eu sei a luta sozinha em casa com três filhos. Só eu sei o que estou passando", declarou.
O crime e os réus
Gritzbach foi morto com tiros de fuzil na área de desembarque do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em 8 de novembro de 2024. O motorista, que não o conhecia, foi atingido por um disparo durante o ataque e morreu. São réus no processo: o tenente Fernando Genauro da Silva, apontado pela Promotoria como o motorista do carro usado na fuga; o cabo Denis Antonio Martins, acusado de ser um dos atiradores; e o soldado Ruan Silva Rodrigues, também apontado como um dos autores dos disparos. Os três estão presos e respondem por homicídio qualificado pelas mortes de Gritzbach e de Celso Novais, além de duas tentativas de homicídio. Todos negam participação no crime.



