O inquérito que investiga a chamada 'Abin Paralela' completa um ano na Procuradoria-Geral da República (PGR) sem que haja uma definição sobre o caso. A investigação, conduzida pela Polícia Federal (PF), foi concluída em junho e resultou no indiciamento de 36 pessoas, entre elas o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Investigação aponta uso da Abin para espionagem política
De acordo com a PF, os indiciados são acusados de utilizar a estrutura da Abin para realizar espionagem política ilegal, monitorando adversários e aliados políticos. O esquema teria funcionado durante o governo Bolsonaro, com o objetivo de obter informações privilegiadas para beneficiar o grupo político no poder.
Alexandre Ramagem, que também foi condenado por conspiração golpista em outro processo, encontra-se atualmente nos Estados Unidos. A defesa de Ramagem nega as acusações e afirma que ele está colaborando com a justiça americana.
PGR ainda não se manifestou
Apesar de o inquérito estar concluído e os indiciamentos terem sido realizados, a PGR ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, tem a atribuição de decidir se oferece denúncia ou arquiva o inquérito. Até o momento, não há prazo para que essa decisão seja tomada.
O silêncio da PGR tem gerado críticas de parlamentares da oposição, que cobram agilidade na apuração do caso. Em nota, a PGR informou que o inquérito está em análise e que todas as diligências necessárias estão sendo realizadas.
O caso da 'Abin Paralela' é considerado um dos mais graves episódios de interferência política nos órgãos de inteligência do Brasil. A expectativa é de que a PGR tome uma decisão nos próximos meses, mas, por enquanto, o inquérito completa um ano sem definição.



