O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), saiu em defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Em entrevista à Folha de S.Paulo na terça-feira (23), Haddad afirmou que Wagner agiu contra os interesses do Banco Master, de Daniel Vorcaro. “Sou testemunha de que ele atuou contra o Banco Master e ajudou o governo a bloquear os interesses da instituição. Ele agiu contra o Master, inclusive a meu pedido. Posso depor onde ele quiser”, disse Haddad.
Operação Compliance Zero e apreensão de dólares
A operação da PF, deflagrada no dia 18, cumpriu mandados de busca e apreensão contra o líder do PT no Senado. Em um dos endereços ligados a Jaques Wagner, os agentes apreenderam US$ 49 mil em espécie, o equivalente a cerca de R$ 253 mil pela cotação atual. As investigações apuram se o senador recebeu de Vorcaro um apartamento avaliado em mais de R$ 2,4 milhões.
Investigações sobre voos e pagamentos
Segundo a Polícia Federal, Wagner teria viajado com frequência em jatos do banqueiro e recebido pagamentos do Banco Master ao longo dos anos, por meio da empresa da esposa de seu enteado, Bonnie Bonilha. A defesa do senador nega as acusações.
Recurso ao STF
Na segunda-feira (22), Wagner apresentou recurso ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do caso, André Mendonça, solicitando a anulação da operação de busca e apreensão. A defesa do senador sustenta que há erros graves que comprometem a validade da medida, incluindo a afirmação de que o líder do PT no Senado teria atuado no Congresso para aprovar medidas que favorecessem o Banco Master. Como argumento, os advogados afirmam que Wagner teria se posicionado contra a “Emenda Master”, medida apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que tinha como objetivo ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e, por consequência, diminuir o risco associado ao esquema fraudulento de Vorcaro.



