Gleisi critica Flávio por demora em repudiar fala misógina de influenciador
Gleisi critica Flávio por demora em repudiar fala misógina

A presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), criticou nesta quarta-feira (2) a demora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em repudiar a fala do influenciador Paulo Figueiredo, que afirmou que 'mulher vota muito mal'. Em publicação nas redes sociais, Gleisi relembrou declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre mulheres e afirmou que Flávio 'nunca disse nada' sobre as falas do pai.

Repercussão da fala de Figueiredo

Paulo Figueiredo, influenciador digital e apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou polêmica ao declarar que 'mulheres votam muito mal' durante uma live. A declaração foi amplamente criticada por lideranças políticas e figuras públicas. A primeira-dama Janja da Silva também se manifestou, destacando a importância do voto feminino e classificando a fala como 'misógina e antidemocrática'.

Gleisi Hoffmann, em sua postagem, afirmou: 'Flávio Bolsonaro demorou para repudiar a fala de Paulo Figueiredo, mas nunca disse uma palavra sobre as declarações do próprio pai contra as mulheres. Jair Bolsonaro já chamou mulheres de 'fábricas de filhos', disse que 'mulher tem que ganhar menos' e fez diversas ofensas. Flávio nunca disse nada.'

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Flávio busca apoio feminino

O senador Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência da República e tem buscado ampliar sua base de apoio entre o eleitorado feminino, que historicamente rejeita o bolsonarismo. Pesquisas recentes indicam que a rejeição a Jair Bolsonaro entre mulheres é superior a 60%. A demora em repudiar a fala de Figueiredo é vista como um tropeço na estratégia de Flávio para conquistar esse segmento.

Até o momento, Flávio Bolsonaro não se pronunciou oficialmente sobre a crítica de Gleisi. Sua assessoria informou que o senador 'repudia qualquer forma de discriminação' e que 'a fala de Figueiredo não representa sua opinião'. No entanto, a demora de mais de 24 horas para se manifestar foi alvo de críticas.

Contexto de declarações polêmicas

Jair Bolsonaro acumula uma série de declarações consideradas misóginas ao longo de sua carreira política. Em 2014, durante discurso na Câmara dos Deputados, disse que não estupraria a deputada Maria do Rosário 'porque ela não merece'. Em 2016, afirmou que mulheres deveriam ganhar salários menores porque 'engravidam'. Em 2017, declarou que 'mulher tem que ser recatada'.

A fala de Paulo Figueiredo reacendeu o debate sobre a relação do bolsonarismo com o eleitorado feminino. Especialistas apontam que a rejeição a Bolsonaro entre mulheres foi determinante para sua derrota nas eleições de 2022. Para Flávio, que tenta se descolar da imagem do pai, a associação com declarações misóginas é um obstáculo.

Importância do voto feminino

As mulheres representam 53% do eleitorado brasileiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2022, 58% das eleitoras votaram em Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, contra 42% em Jair Bolsonaro. A polarização de gênero é um dos fatores centrais na disputa eleitoral.

Janja da Silva, em sua manifestação, afirmou: 'Não podemos aceitar que a participação política das mulheres seja desqualificada. O voto feminino é consciente e fundamental para a democracia.' Gleisi Hoffmann reforçou: 'Enquanto a direita continuar desrespeitando as mulheres, continuaremos perdendo votos femininos.'

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar