Fraude de R$ 27 mi em livros e saúde mantém 9 presos em MS
Fraude de R$ 27 mi em livros e saúde mantém 9 presos

Nove investigados por suspeita de integrar um esquema de fraude de mais de R$ 27 milhões na compra de livros tiveram a prisão mantida após audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (8), em Campo Grande. A investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), aponta que o grupo também condicionava a autorização de exames, cirurgias e vagas em hospitais da rede estadual à compra de livros vendidos pelos investigados.

Operação Gutenberg cumpre 16 mandados de prisão

Ao todo, 16 mandados de prisão preventiva foram expedidos e, até o momento, 12 pessoas foram presas durante a Operação Gutenberg. Entre os investigados estão uma médica, um ex-prefeito, advogados, empresários, servidores públicos e familiares.

Quem continua preso?

Após audiência de custódia, a Justiça manteve a prisão de: Paulo Rogério de Melo; Douglas Henrique de Melo; Francisco Anizio dos Santos; Matheus Oliveira Peixoto; Felipe Paroschi Jafar; Olívia Paroschi Jafar; Ed Carlo Britto Burgatt; Gabriel Taquino de Paula; Joatan Gomes Peixoto. Já os investigados Jéssyca Duarte Burgatt, Rossana Paroschi Jafar e Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior ainda não passaram por audiência de custódia. A previsão é que as audiências ocorram nesta quinta-feira (9).

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Quem são os investigados?

Segundo apuração do g1 e da TV Morena, entre os presos estão integrantes de três famílias. Eles são: Paulo Rogério de Melo, empresário; Douglas Henrique de Melo, empresário e filho de Paulo Rogério; Rossana Paroschi Jafar, sócia-administradora de uma gráfica em Campo Grande; Felipe Paroschi Jafar, servidor comissionado da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) e filho de Rossana; Olívia Paroschi Jafar, médica e empresária, filha de Rossana; Ed Carlo Britto Burgatt, servidor da Central Estadual de Regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES); Jéssyca Duarte Burgatt, empresária e filha de Ed Carlo. Também são investigados: Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor político na Assembleia Legislativa; Gabriel Taquino de Paula, advogado; Francisco Anizio dos Santos; Joatan Gomes Peixoto; Matheus Oliveira Peixoto. O MPMS ainda não detalhou qual seria a participação individual de cada investigado no suposto esquema.

Como funcionava o esquema?

Segundo a investigação, empresários coordenavam uma organização criminosa que direcionava contratações sem licitação para a compra de livros paradidáticos em diversos municípios de Mato Grosso do Sul. Os contratos investigados somam mais de R$ 27 milhões. O Ministério Público afirma que os recursos eram distribuídos entre integrantes da organização, servidores públicos e pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem do dinheiro. Na casa de um dos investigados foram apreendidos R$ 69.795 em dinheiro e US$ 907.

Como a saúde pública era usada?

Um dos principais pontos da investigação envolve a área da saúde. Segundo o Gaeco, servidores públicos condicionavam a autorização de exames, cirurgias e vagas em hospitais da rede estadual à compra dos livros comercializados pelo grupo. De acordo com o Ministério Público, a organização ainda estava em atividade e mantinha contratos em diversos municípios quando a operação foi deflagrada.

Central de Regulação continua funcionando

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que a Central Estadual de Regulação continua funcionando normalmente e que não houve prejuízo aos atendimentos, autorizações de consultas, exames, cirurgias, internações e demais procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). O governo estadual também informou que determinou a exoneração dos servidores Ed Carlo Britto Burgatt e Felipe Paroschi Jafar.

Crimes investigados

Segundo o MPMS, a organização criminosa é investigada por fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública.

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O que dizem as defesas

A defesa de Francisco Anizio dos Santos, Ed Carlo Britto Burgatt, Gabriel Taquino de Paula, Matheus Oliveira Peixoto e Joatan Gomes Peixoto informou que ainda não teve acesso aos autos do processo. O g1 não conseguiu localizar, até a última atualização desta reportagem, as defesas de Paulo Rogério de Melo, Douglas Henrique de Melo, Felipe Paroschi Jafar, Olívia Paroschi Jafar, Jéssyca Duarte Burgatt e Rossana Paroschi Jafar. A defesa de Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior afirmou que ainda não teve acesso à íntegra do processo e aos fundamentos da decisão e, por isso, considera qualquer manifestação prematura.