O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) repetiu informações falsas sobre a origem das urnas eletrônicas brasileiras durante um evento com diplomatas estrangeiros em Brasília, nesta terça-feira. Em nota, ele negou ter colocado em dúvida o processo eleitoral, mas a declaração gerou novo mal-estar com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Declaração falsa sobre a Smartmatic
Em discurso no encontro “Debatendo o Brasil”, organizado pelo site The Brazilian Report e a agência Novo Selo Comunicação, Flávio afirmou que as urnas eletrônicas usadas no Brasil têm origem na empresa venezuelana Smartmatic. A informação já foi desmentida pelo TSE em 2017, 2020 e 2022. “Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse o senador, citando documentos da CIA divulgados pela gestão Trump que levantam suspeitas sobre o processo eleitoral venezuelano.
O TSE reafirmou nesta terça-feira que não há relação entre as urnas brasileiras e a Smartmatic. “As urnas eletrônicas brasileiras foram projetadas por técnicos a serviço da Justiça Eleitoral e são produzidas, sob a sua direta coordenação, por empresas selecionadas por meio de processos licitatórios públicos e de ampla concorrência”, diz nota do tribunal. A Smartmatic já prestou serviços de conexão de dados e voz à Justiça Eleitoral, mas nunca forneceu urnas ou participou de sua programação. A empresa até concorreu a uma licitação para fabricar urnas em 2020, mas perdeu para uma concorrente.
Nota do senador e contexto político
Após a repercussão, Flávio divulgou nota afirmando que “não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro” e que o convite para observadores internacionais “segue uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral”. O evento contou com membros do corpo diplomático de 42 países, incluindo Estados Unidos, Israel, Reino Unido, África do Sul, Austrália, Paraguai, União Europeia e Alemanha.
O senador também minimizou a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pelo TSE, que o tornou inelegível por ataques infundados ao sistema eleitoral em reunião com embaixadores em 2022. “Alguém que tinha uma preocupação com a transparência, a segurança do nosso sistema eleitoral e apenas manifestava as suas preocupações”, argumentou Flávio. O TSE, no entanto, entendeu que Jair Bolsonaro praticou abuso de poder político e usou indevidamente meios de comunicação ao atacar, sem provas, as urnas eletrônicas, com “expressivo alcance na difusão de informações falsas já reiteradamente desmentidas”.



