O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira (24) a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos importados de 12 setores industriais de países onde há indícios de trabalho forçado. A medida, que entra em vigor em 90 dias, afeta diretamente as exportações brasileiras de aço, alumínio, carne bovina e calçados, entre outros itens.
Detalhes da tarifa
A decisão foi anunciada pelo Departamento de Comércio dos EUA, que identificou práticas de trabalho forçado em cadeias produtivas de países como China, Vietnã e Brasil. Segundo o relatório, o Brasil figura na lista devido a denúncias de trabalho escravo em fazendas de gado e em indústrias de calçados. A tarifa de 25% será aplicada sobre o valor dos produtos importados, e os recursos arrecadados serão destinados a programas de combate ao trabalho forçado.
Impacto nas exportações brasileiras
O Brasil exporta anualmente cerca de US$ 5 bilhões em produtos dos setores afetados. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a tarifa pode reduzir em até 15% as vendas para os EUA, afetando principalmente os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo brasileiro está tomando medidas para combater o trabalho escravo e que buscará reverter a decisão por meio de negociações bilaterais.
Reações e próximos passos
O presidente Jair Bolsonaro classificou a medida como "injusta" e disse que o Brasil tem um dos sistemas mais rigorosos de fiscalização do trabalho no mundo. "Não aceitaremos acusações infundadas. Vamos recorrer à Organização Mundial do Comércio", declarou. Por outro lado, organizações de direitos humanos elogiaram a iniciativa, mas alertaram que a tarifa pode prejudicar trabalhadores que dependem dessas exportações. O governo americano afirmou que a tarifa será revista anualmente com base em relatórios de progresso no combate ao trabalho forçado.



