O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), manifestou apoio a ações militares dos Estados Unidos contra traficantes que transportam drogas e armas rumo ao Brasil. Em entrevista à BBC News, o pré-candidato ao governo fluminense declarou-se favorável a bombardeios em alto-mar para impedir que esses carregamentos cheguem ao país.
Apoio a bombardeios em alto-mar
“Se for necessário bombardear esses traficantes de drogas, traficantes de armas no mar aberto, antes dessas armas chegarem aqui no nosso território, nas nossas cidades, têm o meu total apoio”, afirmou Ruas. A declaração ocorre após a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Ruas argumentou que grande parte das armas apreendidas no Rio é produzida no exterior e que a cocaína comercializada no estado também tem origem fora do Brasil. Para ele, isso justifica ampliar a cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado.
Defesa do enquadramento como terroristas
O deputado também voltou a defender que as facções criminosas brasileiras sejam enquadradas como organizações terroristas. Na avaliação dele, esses grupos impõem medo à população e controlam territórios em diferentes regiões do estado. O posicionamento acompanha uma defesa feita anteriormente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em 2025, após uma operação americana contra uma embarcação suspeita de transportar drogas no Oceano Pacífico, o pré-candidato à Presidência sugeriu que os Estados Unidos realizassem ações semelhantes contra organizações criminosas na Baía de Guanabara.
Opinião pública dividida
As declarações ocorrem em um momento em que a atuação dos Estados Unidos no combate ao crime organizado divide a opinião pública. Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostrou que 59% dos brasileiros concordam com a decisão de Washington de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Ao mesmo tempo, 74% rejeitam a possibilidade de operações americanas em território brasileiro sem autorização do governo federal.



