O futuro do Banco Digimais, controlado pelo empresário e líder religioso Edir Macedo, tornou-se ainda mais incerto após a suspensão das negociações de compra pelo BTG Pactual. Sem o acordo, o banco enfrenta uma crise de confiança agravada por investigações da Polícia Federal (PF) por supostas fraudes contra o sistema financeiro. A estratégia utilizada pelo Digimais para inflar captações foi a mesma do falido Banco Master: oferecer remunerações acima do mercado, com CDBs pagando até 140% do CDI.
Investigação da PF e semelhanças com o caso Master
A Polícia Federal deflagrou uma operação contra o Banco Digimais nesta semana, investigando indícios de fraudes contábeis e operações que teriam maquiado a saúde financeira da instituição. De acordo com a PF, o banco captava recursos de investidores oferecendo taxas muito superiores às praticadas no mercado, o que teria criado um passivo artificial. A prática é similar à adotada pelo Banco Master, que faliu em 2024 e deixou um rombo bilionário no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Rebaixamento de rating e risco para investidores
Com a deterioração do cenário, a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota do Digimais, indicando alta probabilidade de calote. A medida acendeu o alerta para os detentores de CDBs emitidos pelo banco. Estima-se que o FGC possa precisar cobrir cerca de R$ 8 bilhões em CDBs, caso o banco não consiga honrar seus compromissos. O valor supera os R$ 6 bilhões que o fundo teve que desembolsar no caso Master.
Impacto no mercado e próximos passos
O mercado financeiro acompanha com apreensão o desenrolar do caso. A suspensão da compra pelo BTG foi vista como um sinal de que o banco de Edir Macedo não encontrou um comprador disposto a assumir seus riscos. Fontes do mercado ouvidas pela reportagem afirmam que, sem uma injeção de capital ou uma fusão, a probabilidade de intervenção do Banco Central é alta. O BC já monitora a situação de perto e pode decretar o regime de administração especial temporária (RAET) ou até mesmo a liquidação extrajudicial.
O que diz a defesa
Procurado, o Banco Digimais não se manifestou oficialmente. Em nota anterior, a instituição negou irregularidades e afirmou que todas as suas operações são legais e transparentes. A defesa de Edir Macedo também não foi localizada para comentar o andamento das investigações.



