Um homem condenado por racismo em 2017, após fazer uma montagem comparando torcedoras negras do Bahia com torcedoras brancas do Grêmio, teve sua pena convertida em prestação de serviços à comunidade. A decisão foi divulgada na segunda-feira (20) pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e ainda cabe recurso.
Detalhes do crime e da condenação
O caso foi denunciado pela vítima, Edna Matos, que na época era diretora no campus do Instituto Federal da Bahia (Ifba) em Santo Antônio de Jesus, a cerca de 184 km de Salvador. A imagem de Edna e sua filha, ambas negras e vestindo camisas do Bahia, foi comparada com torcedoras brancas do Grêmio, acompanhada da frase: “ainda tem gente que acha que time é tudo igual”. O conteúdo racista viralizou após ser compartilhado em um aplicativo de mensagens e redes sociais.
“A legenda que acompanha a montagem e que dá título à postagem sugere que apenas as gremistas são bonitas. Somos negras, mulheres e belas (nesta ordem de importância)”, declarou Edna em publicação nas redes sociais.
Pena convertida em serviços comunitários
Em junho deste ano, o réu foi condenado a dois anos e quatro meses de reclusão. No entanto, a pena privativa de liberdade foi substituída por prestação de serviços à comunidade e pelo pagamento de três salários mínimos a instituições beneficentes que combatem o racismo, além de multa e custas processuais. O g1 tenta contato com as vítimas para comentar a decisão.
Edna estava de férias em Portugal, visitando a filha, quando soube da montagem racista por meio de uma postagem da prefeitura de Salvador. A administração municipal publicou: “2017 e ainda tem gente que não entendeu que isso é racismo. E racismo não é engraçado, é crime!#Denuncie!”.
Impacto e contexto
A imagem havia sido cedida por Edna a um site de notícias para uma matéria sobre uma promoção do Esporte Clube Bahia em homenagem ao Dia da Mulher. “A gente fica magoado e triste. A gente não espera, apesar de isso ser comum”, desabafou a vítima na época.
O caso reacende o debate sobre racismo no futebol e a necessidade de punições efetivas. A conversão da pena em serviços comunitários levanta questionamentos sobre a proporcionalidade da punição em crimes raciais.



