A operação da Polícia Federal que atingiu o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), criou um problema político significativo para o Palácio do Planalto. O caso atinge em cheio uma das principais narrativas do PT: a de que o escândalo Master seria restrito a adversários da direita e do Centrão.
Orientação do Planalto
Nos bastidores do governo, a orientação desde o início do dia era clara: Jaques Wagner precisava explicar os pagamentos sob investigação e colocar o cargo à disposição para evitar que o caso contaminasse o governo e o partido. Integrantes do Planalto avaliam que o afastamento deveria ter ocorrido ainda no ano passado, justamente para impedir que a crise ganhasse novas proporções.
Declaração de Wagner gera perplexidade
Por isso, causou perplexidade a declaração de Wagner de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria lhe pedido para “ficar firme”, por considerar que ele estaria sendo alvo de perseguição. Na avaliação de auxiliares do governo, a fala vincula diretamente o presidente à decisão e dificulta a estratégia que vinha sendo construída para separar o governo da situação do senador.
Estratégia do PT
A tendência agora é o PT tentar se descolar do caso e concentrar a responsabilidade na situação individual de Jaques Wagner. O cálculo político é preservar o governo e evitar que o escândalo comprometa ainda mais a agenda do Planalto.
Investigação segue avançando
Do lado das investigações, porém, a mensagem da Polícia Federal e do ministro André Mendonça é de que a apuração seguirá avançando. Celulares apreendidos, depoimentos e o material já coletado pelos investigadores são considerados peças centrais da investigação.
Entre investigadores e integrantes do Judiciário, a avaliação é de que o conteúdo reunido até agora ajuda a explicar tanto a pressão para enfraquecer a operação quanto a dimensão do escândalo. Nos bastidores, o caso é tratado como uma investigação de alcance suprapartidário, capaz de atingir personagens de diferentes campos políticos, da esquerda à direita.



