A pré-candidatura de Hélio Lopes ao Senado por Roraima, apoiada pela família Bolsonaro, gerou forte descontentamento entre lideranças políticas locais. A situação repete o movimento ocorrido em Santa Catarina, quando Carlos Bolsonaro tentou se candidatar, e irrita a direita local, que já tinha um nome definido para a disputa.
Anúncio de Flávio Bolsonaro surpreende diretório estadual do PL
Na última terça-feira (16 de junho), o senador Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais lançando o nome de Hélio Lopes como pré-candidato ao Senado por Roraima. A decisão pegou de surpresa o diretório estadual do PL, que já havia articulado o nome do deputado Nicoletti para a mesma vaga. Segundo fontes locais, a falta de diálogo prévio com a cúpula partidária no estado gerou mal-estar entre os filiados.
Comparação com caso de Carlos Bolsonaro em Santa Catarina
A estratégia da família Bolsonaro em Roraima é similar à tentativa de Carlos Bolsonaro em Santa Catarina, que também enfrentou resistência interna. Em ambos os casos, o apoio do clã presidencial a candidatos externos ao estado desagradou lideranças regionais, que se sentem preteridas. "É uma repetição do que aconteceu em Santa Catarina, onde a base local foi ignorada", afirmou um dirigente do PL roraimense, que preferiu não se identificar.
Nicoletti mantém pré-candidatura e cenário se complica
O deputado Nicoletti, que já havia anunciado sua pré-candidatura ao Senado, reiterou que permanece na disputa. "Nosso projeto é construído com as bases locais, e não com imposições externas", declarou Nicoletti em nota. A situação cria um impasse no PL de Roraima, que agora tem dois pré-candidatos fortes, podendo rachar o partido e enfraquecer a oposição ao governo estadual.
Impacto na política local e alianças em jogo
A interferência da família Bolsonaro em Roraima ocorre em um momento delicado, com as eleições se aproximando. A direita local, que vinha se unindo em torno de Nicoletti, agora se vê dividida. Analistas políticos apontam que a crise pode beneficiar adversários, que já exploram a desunião. "O apoio de Bolsonaro é uma faca de dois gumes: atrai votos, mas desorganiza a base", comentou o cientista político Carlos Alberto. O cenário promete esquentar nos próximos meses, com negociações de última hora para evitar uma ruptura total.



