Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro criticaram duramente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que restringiu as visitas a ele. A medida foi tomada no âmbito do inquérito das fake news, que investiga a disseminação de notícias falsas e ameaças contra ministros da Corte.
Decisão de Moraes
Na última sexta-feira, Moraes determinou que as visitas a Bolsonaro sejam limitadas a familiares e advogados, proibindo encontros com políticos e apoiadores. A decisão foi baseada em relatórios da Polícia Federal que apontam risco de interferência nas investigações.
Segundo a PF, Bolsonaro estaria utilizando visitas para coordenar estratégias de defesa e influenciar testemunhas. A medida vale até o fim do inquérito, que ainda não tem data para conclusão.
Reação dos aliados
Parlamentares aliados a Bolsonaro classificaram a decisão como "arbitrária" e "perseguição política". O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que "o STF está agindo como um tribunal de exceção, violando direitos fundamentais".
"Não podemos aceitar que um ministro do STF tome decisões que cerceiam a liberdade de um cidadão sem julgamento", declarou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Impacto político
A decisão de Moraes ocorre em meio a um cenário de tensão entre o STF e o governo federal. Bolsonaro tem sido alvo de diversas investigações, incluindo a que apura suposta tentativa de golpe de Estado.
Especialistas apontam que a restrição de visitas pode enfraquecer a capacidade de Bolsonaro de articular politicamente, mas também pode fortalecer o discurso de perseguição entre seus apoiadores.
"A medida é juridicamente questionável, mas politicamente pode ser um tiro no pé, pois alimenta a narrativa de que há uma perseguição judicial contra Bolsonaro", analisa o cientista político Carlos Melo.



