A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (1º) a terceira fase da Operação Rent a Car, que investiga desvio de recursos públicos por meio de contratos de locação de veículos. A nova etapa é um desdobramento das investigações que, em dezembro do ano passado, miraram os deputados federais Carlos Jordy (PL-RJ) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara.
Investigação anterior e alvos
Na ocasião, os parlamentares foram alvo de mandados de busca e apreensão sob suspeita de desviar recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap) por meio de contratos com empresas de locação de veículos. Segundo a investigação, os deputados teriam utilizado empresas de fachada para justificar despesas custeadas com dinheiro público. A principal suspeita da PF é que contratos de aluguel de veículos eram usados para dar aparência de legalidade ao desvio da verba parlamentar.
Indícios de participação direta
A operação realizada em dezembro foi um desdobramento da Rent a Car, iniciada após diligências contra assessores ligados aos parlamentares. De acordo com a Polícia Federal, a análise de mensagens de celular, depoimentos e quebras de sigilo revelou indícios de participação direta dos deputados no suposto esquema. As investigações apontam que agentes públicos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para desviar recursos da Ceap e ocultar a origem do dinheiro. Entre os crimes investigados estão peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Dinheiro apreendido em flat
Durante as buscas, a PF apreendeu cerca de R$ 470 mil em espécie em um endereço ligado a Sóstenes Cavalcante, em Brasília. O dinheiro estava guardado em sacos plásticos dentro de um armário, segundo os investigadores. O deputado afirmou que os valores são provenientes da venda de um imóvel, declarou que o dinheiro tem origem lícita e disse ser vítima de perseguição política. Carlos Jordy também negou qualquer irregularidade. Em nota divulgada na época, afirmou que a empresa investigada presta serviços ao seu gabinete desde 2019 e argumentou que não cabe ao parlamentar fiscalizar a quantidade de veículos da locadora contratada, mas apenas a prestação do serviço.
Nova fase da operação
A fase atual da Operação Rent a Car não tem os deputados como alvos diretos. Segundo a PF, o objetivo agora é aprofundar as investigações sobre pessoas ligadas a Sóstenes Cavalcante e esclarecer a movimentação e a destinação dos recursos sob investigação, além de apurar a versão apresentada pelo parlamentar para a origem do dinheiro apreendido em dezembro.



