Senado inicia recesso informal sem votar pauta do governo
Senado inicia recesso informal sem votar pauta

O Senado Federal iniciou nesta segunda-feira (20) um recesso informal de duas semanas, interrompendo as votações de pautas prioritárias para o governo federal. A decisão foi tomada após a Mesa Diretora da Casa constatar que não há quórum suficiente para deliberações nos próximos dias. Entre os projetos que ficaram para depois do recesso estão a reforma tributária, o Orçamento de 2026 e medidas de ajuste fiscal.

Falta de quórum e acordos políticos

Segundo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a paralisação é motivada pela ausência de senadores em Brasília, muitos dos quais já haviam retornado a seus estados para compromissos de campanha eleitoral. “Não há condições de manter o funcionamento regular da Casa sem um número mínimo de parlamentares presentes. O recesso informal é uma forma de evitar votações frustradas”, afirmou Pacheco.

A oposição, no entanto, critica a medida. O líder da minoria no Senado, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), classificou a pausa como “um novo atraso nas reformas que o Brasil precisa”. “O governo não consegue articular nem mesmo sua base aliada. O recesso informal é uma demonstração de fragilidade política”, disse.

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Pautas pendentes e impacto econômico

Entre as matérias que aguardam votação está a regulamentação da reforma tributária, considerada essencial para a simplificação do sistema de impostos no país. O texto já foi aprovado na Câmara dos Deputados, mas sofreu alterações no Senado e precisa de nova análise dos deputados. Outro projeto prioritário é a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que estabelece as metas fiscais para o próximo ano. Sem a LDO aprovada, o governo fica impedido de executar despesas discricionárias.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), minimizou o impacto da paralisação. “O recesso informal é uma prática comum em períodos eleitorais. As votações serão retomadas em agosto com força total”, declarou. No entanto, especialistas apontam que a demora na aprovação das pautas pode comprometer o planejamento econômico do governo. Segundo o economista Carlos Alberto, da consultoria Tendências, “a indefinição sobre o Orçamento e a reforma tributária gera incertezas para investidores e pode afetar a retomada do crescimento”.

Calendário eleitoral e articulação política

O recesso informal coincide com o período de convenções partidárias e preparação para as eleições municipais de outubro. Muitos senadores estão envolvidos nas campanhas de seus aliados, o que reduz a presença na Casa. A expectativa é que as atividades sejam retomadas na primeira semana de agosto, quando o Congresso terá que votar, também, os vetos presidenciais pendentes.

O governo federal tenta costurar acordos para garantir a aprovação de suas pautas. Nesta segunda-feira, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, reuniu-se com líderes partidários para alinhar estratégias. “Estamos confiantes de que, após o recesso, teremos condições de aprovar as matérias que são importantes para o país”, afirmou Costa.

A oposição, por sua vez, promete obstruir as votações caso o governo não atenda a demandas de transparência fiscal. “Não vamos aceitar um Orçamento que maquie a realidade fiscal do Brasil”, disse o senador Flávio Bolsonaro.

Próximos passos

Com a paralisação, o governo terá que acelerar as negociações em agosto para evitar que as pautas se acumulem. O recesso informal termina no dia 3 de agosto, quando o Senado retomará oficialmente os trabalhos. Até lá, apenas comissões permanentes podem funcionar, mas sem poder de deliberação.

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