A frustração domina o futebol italiano. Depois de não disputar as últimas três edições da Copa do Mundo (2018, 2022 e 2026), a tetracampeã mundial inicia um novo ciclo mergulhada em um turbilhão de decisões controversas que ampliam a insegurança sobre o futuro da Azzurra. Nesta terça-feira, 28 de julho, o site da Federação Italiana de Futebol (FIGC) anunciava a chegada de Claudio Ranieri como diretor técnico e Roberto Mancini como treinador. Ao lado, ainda estava a defasada publicação de quatro dias antes, em que o presidente Giovanni Malagò apresentava Paolo Maldini e Leonardo como os condutores da reconstrução. Quem piscou perdeu os capítulos da novela.
O colapso da federação
Após o terceiro fiasco consecutivo nas Eliminatórias Europeias, a Itália passou por uma reformulação total. O então presidente da FIGC, Gabriele Gravina, renunciou, assim como Gianluigi Buffon e Gennaro Gattuso deixaram seus postos de diretor e treinador. Giovanni Malagò, ex-presidente do Comitê Olímpico Nacional da Itália (CONI) por 12 anos, foi eleito para o cargo. Em sua primeira aparição pública, ao lado de Maldini e Leonardo, prometeu "mudança de mentalidade" e "reconstrução desde a base", com o objetivo de voltar a disputar uma Copa do Mundo em 2030.
Do sonho de Guardiola ao erro com Pirlo
Para buscar novas ideias, Maldini viajou a Barcelona e passou três dias negociando com Pep Guardiola, que recusou. Também tentou Carlo Ancelotti, hoje na seleção brasileira. Quando a definição recaiu sobre Andrea Pirlo, o choque foi imediato. O jornalista Massimo Franchi, do Tuttosport, comparou: "É como dizer que negociou por dias com Guardiola, uma Ferrari, e com Ancelotti, uma Lamborghini, e depois contratar Pirlo, um Fiat Cinquecento".
Pirlo é ídolo nacional, com 116 jogos pela Itália e titular na Copa de 2006. Mas como treinador, sua carreira é modesta: começou na Juventus em 2020, terminando em quarto no Italiano (contra nove títulos consecutivos anteriores), e depois passou sem sucesso por Karagumruk (Turquia), Sampdoria (Série B italiana) e, atualmente, comanda o Dubai United, recém-promovido à elite dos Emirados Árabes Unidos.
Controvérsia russa e renúncia
A escolha de Pirlo gerou forte rejeição na opinião pública italiana. Além do currículo fraco, pesou sua ligação com o governo russo. Desde 2025, ele treina o Dubai United, propriedade do empresário Sergey Lomakin, sócio da casa de apostas Fonbet, ligada a Vladimir Putin. Em meio à guerra na Ucrânia, a vice-presidente do Parlamento Europeu, Pina Picierno, posicionou-se contra. Fotos de Pirlo em um evento da Fonbet em Moscou ressurgiram, arranhando sua imagem. Segundo o La Gazzetta dello Sport, o contrato publicitário seria encerrado automaticamente com a saída do clube, mas o estrago já estava feito. Malagò cancelou a contratação. Maldini e Leonardo, que defendiam o nome, foram contra e renunciaram. Discutiam um plano B, o ítalo-brasileiro Thiago Motta (ex-Bologna e Juventus), mas não houve acordo.
Mancini como estepe
Sem opções, o nome de Antonio Conte ganhou força. Mas seu histórico de não ficar mais de três anos em nenhum clube (incluindo a seleção italiana entre 2015 e 2016) desagrada a visão de longo prazo para 2030. Assim, a FIGC recorreu a Roberto Mancini, que já comandou a Itália entre 2018 e 2023, conquistando a Eurocopa 2021 e estabelecendo um recorde de invencibilidade. No entanto, em agosto de 2023, ele abandonou a seleção a menos de um ano da Eurocopa 2024 para assumir a Arábia Saudita, o que foi visto como traição. "Mancini é contestado, mas não é ruim como o Pirlo. Ganhou a Euro, mas cometeu erros decisivos que levaram à eliminação antes da Copa de 2022 e saiu como traidor. Em resumo, é uma vergonha. Sem opções, ele serve como estepe. A federação faz um trabalho ridículo, nada sério", afirmou Franchi.
Claudio Ranieri, 74 anos, assume como diretor técnico. Embora seja um nome de peso, sua idade contrasta com a promessa de renovação. A seleção italiana tem jogos importantes em setembro contra Bélgica e Turquia pela Liga das Nações da Uefa, no Grupo A que também inclui a França. O novo ciclo começa sob desconfiança geral.



