O Morgan Stanley divulgou relatório apontando que a América Latina começa a reunir catalisadores que podem destravar um novo ciclo de valorização dos ativos da região. Entre os fatores, o banco destaca o posicionamento leve dos investidores globais, inflação mais comportada, valuations atrativos e investimentos ligados à inteligência artificial (IA).
Brasil em destaque nas recomendações
O Brasil mantém posição de destaque, com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado). O Morgan Stanley considera que o país combina inflação em desaceleração, perspectiva de juros mais baixos e preços de ativos descontados.
Segundo os estrategistas Nikolaj Lippmann e Julia Nogueira, o principal fator de curto prazo para emergentes continua sendo a política monetária dos EUA. Embora o mercado espere altas de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco não projeta novas elevações em 2026. Se esse cenário se confirmar, o fluxo para emergentes pode ganhar força.
Cenário econômico e político brasileiro
No Brasil, o banco vê a inflação em trajetória benigna, com a economia desacelerando gradualmente. Esse cenário “nem muito quente, nem muito frio” tende a favorecer as ações locais e abrir espaço para a retomada do ciclo de afrouxamento monetário.
O Morgan Stanley também destaca a evolução política: pesquisas eleitorais para 2026 mostram cenário mais equilibrado, aumentando a percepção de políticas mais amigáveis ao mercado. Contudo, a eleição segue altamente competitiva e é um dos principais riscos.
Valuations atrativos e posicionamento dos investidores
O mercado brasileiro negocia a cerca de 8,5 vezes o lucro projetado, aproximadamente um desvio-padrão abaixo da média histórica, patamar considerado atrativo. As expectativas para resultados corporativos foram ajustadas para níveis mais realistas após a deterioração dos balanços do primeiro trimestre.
O posicionamento dos investidores globais em Brasil permanece baixo. Fundos globais dedicados a emergentes mantinham posição comprada de 1,7% acima do índice de referência em maio, abaixo dos 2,3% em março. Isso cria espaço para recomposição de posições se o cenário internacional melhorar.
Oportunidades em outros mercados da região
Além do Brasil, o Morgan Stanley vê o México em estágio inicial de recuperação do investimento, impulsionado pelo Plano México e pela retomada dos investimentos industriais nos EUA. Argentina e Chile também são beneficiários da retomada de projetos de infraestrutura, mineração e energia, movimento chamado de “primavera andina”.
Inteligência artificial como motor regional
Um dos principais motores para a região pode vir da expansão dos investimentos globais em IA. O banco estima que grandes empresas de tecnologia ampliarão significativamente seus gastos de capital até 2028, elevando a demanda por commodities, energia e infraestrutura — segmentos em que a América Latina tem vantagens competitivas.
Como estratégia regional, o banco mantém overweight para Brasil e Argentina, posição neutra (equal weight) para México e Chile, e sugere exposição a temas de IA por meio de energia, minerais e empresas com histórias de crescimento. O principal risco seria uma alta de juros pelo Fed ou aumento das incertezas políticas no Brasil antes das eleições de outubro de 2026.



