Um novo racha na direita brasileira veio a público nesta terça-feira (7), quando os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro usaram as redes sociais para atacar o deputado federal Zé Trovão (PL-SC). A briga começou após o parlamentar, em entrevista ao Quintow Podcast na última quinta-feira (2), chamar Bolsonaro de 'covarde' por seu silêncio após a derrota nas eleições de 2022.
Fala de Zé Trovão gera indignação no clã Bolsonaro
No podcast, Zé Trovão afirmou que Bolsonaro não poderia ter agido como agiu, porque hoje há 'milhares de pessoas presas' em decorrência dos atos antidemocráticos. 'Covarde. Não podia ter feito aquilo porque hoje tem milhares de pessoas presas. Eu não admiti o que foi feito', declarou o deputado. Ele ainda disse que precisa gastar seu 'tempo político' para tentar libertar essas pessoas.
O corte do podcast rapidamente chegou ao conhecimento de Jair Renan Bolsonaro, filho mais novo do ex-presidente e vereador em Balneário Camboriú (SC). Nesta terça-feira, Jair Renan classificou a atitude de Zé Trovão como 'canalhice' e o acusou de ser um 'aproveitador', em publicação no X (antigo Twitter).
Eduardo Bolsonaro intensifica ataques
Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal foragido nos Estados Unidos, também entrou na briga. Ao longo do dia, ele publicou uma sequência de posts e compartilhamentos no X atacando Zé Trovão. Em uma das postagens, Eduardo afirmou que o deputado catarinense estava refugiado no México, tentando descobrir como voltar ao Brasil, e que, apesar de ter escapado da situação, ainda concorreu pelo partido de Bolsonaro. Junto ao post, compartilhou um vídeo do influenciador Paulo Figueiredo, que também criticou Zé Trovão. Figueiredo atribuiu a soltura do deputado a uma promessa feita por Alexandre de Moraes a Jair Bolsonaro e cobrou gratidão de Zé Trovão.
Eduardo também repostou críticas de outros perfis. Um deles associou Zé Trovão a apoiadores de Pablo Marçal que, segundo o argumento, 'sempre' acabam atacando Bolsonaro. Outro ironizou o fato de o deputado, com salário de cerca de R$ 46 mil, reclamar da rotina política.
Histórico de críticas e lealdade questionada
Zé Trovão, caminhoneiro de profissão e uma das lideranças das mobilizações bolsonaristas do setor em 2022, declarou apoio público aos bloqueios que ocorreram após o resultado do segundo turno. Ele já teve prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de organizar manifestações violentas e incitar invasões à Corte. Ficou foragido, mas foi localizado pela Polícia Federal em um hotel no México.
Não é a primeira vez que Zé Trovão critica Bolsonaro em particular. Em janeiro de 2024, um áudio revelado pela coluna do Metrópoles mostrou o deputado, sem saber que estava sendo gravado, chamando o ex-presidente de 'o maior mau exemplo para a política'. Na ocasião, Bolsonaro disse a aliados que já havia feito muito pelo parlamentar e que não esperava esse tipo de postura. Zé Trovão, por sua vez, afirmou que a gravação estava fora de contexto e disse dever 'tudo o que tem' a Bolsonaro.
Zé Trovão se defende e reafirma lealdade
Ainda nesta terça-feira, Zé Trovão se pronunciou sobre o novo conflito. Em postagem, disse que mais uma vez precisa 'reafirmar a lealdade a Bolsonaro'. Ele afirma que sua fala foi tirada de contexto. 'Aqui não tem ninguém que rói a corda, morde a fronha ou recua. Sempre tive posições claras e firmes. Não tenho político de estimação. Quando tenho que criticar, critico. Mas a verdade é uma só, eu nunca chamei meu presidente de covarde. Nunca faria isso, muito pelo contrário. É um dos homens mais honrados, que não merecia passar pelo que está passando', disse Zé Trovão.



