Alcolumbre reclama de pressão do PT sobre PEC 6×1 e rebate ameaças
Alcolumbre reclama de pressão do PT sobre PEC 6×1

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), procurou a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), para reclamar de uma declaração do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, que afirmou que o senador será tratado como “inimigo dos trabalhadores” se não pautar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a jornada de trabalho 6×1. A PEC, considerada prioridade número um do governo federal, foi aprovada na Câmara em 27 de maio e, desde então, não avançou no Senado.

Alcolumbre sinaliza que só avançará após conversa com Lula

Alcolumbre sinalizou a auxiliares que esses temas só deverão avançar após uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que ainda não ocorreu e não tem previsão de acontecer no curto prazo, segundo aliados do petista. Os dois se distanciaram depois que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), em articulação liderada por Alcolumbre.

Uczai ameaça e Alcolumbre rebate

Nesta terça-feira, Uczai afirmou que o PT dará uma “trégua” a Alcolumbre até a próxima semana para que a proposta seja encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeiro passo no rito regimental. “Nós vamos dar uma trégua para o Davi Alcolumbre para ele pegar a pasta e mandar para a Comissão de Constituição e Justiça. Até semana que vem, se ele não encaminhar para a Comissão de Justiça, nós vamos elegê-lo como inimigo também. Inimigo dos trabalhadores e da pauta”, declarou o deputado.

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Horas depois, Alcolumbre rebateu as declarações. Em nota divulgada pela Presidência do Senado, afirmou que “esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado” e que a definição da pauta e da tramitação das matérias “não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”. O senador disse ainda que qualquer tentativa de constranger a condução dos trabalhos da Casa representa afronta à independência entre os Poderes.

Telefonema para Teresa Leitão

Segundo relatos, Alcolumbre telefonou para Teresa Leitão e a conversa seguiu os mesmos termos da nota. O parlamentar já vinha reclamando, nos bastidores e publicamente, dos ataques e pressões que tem recebido de governistas e da militância petista.

Reação negativa entre aliados do PT

A declaração de Uczai repercutiu mal até mesmo entre aliados do PT. Integrantes do partido no Senado queixaram-se em conversas reservadas, afirmando que todos estão atuando para a PEC avançar e que esse tipo de comportamento só atrapalha. A avaliação é que já há ruído na relação do Planalto com a cúpula do Senado e que é preciso evitar maior tensionamento.

Um senador do PT afirmou que é possível pressionar o andamento da PEC e defender a pauta sem direcionar críticas à figura de Alcolumbre. Citou como exemplo a mobilização que levou o Senado a enterrar a PEC da Blindagem, em 2025, quando não houve críticas diretamente ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas ao projeto como um todo.

Antecedentes de pressão

Não é a primeira vez que Alcolumbre reclama de ataques de governistas. No fim de junho, o presidente do Senado criticou uma “autoridade importante do Brasil” que teria pressionado o andamento da PEC, sem citar nomes. Na ocasião, o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) havia cobrado o andamento da proposta. “Eu tenho um discurso de uma autoridade importante do Brasil que disse que a PEC da escala 6×1 precisa ser deliberada agora, antes da eleição, porque ela vai servir para o calendário eleitoral. Pode isso? Não pode isso”, afirmou Alcolumbre.

Tramitação deve começar após recesso

Governistas reconhecem que a tramitação da PEC 6×1 no Senado deve começar apenas após o recesso parlamentar, a partir de agosto. Um integrante do governo que despacha no Palácio do Planalto diz que não há garantias de que Alcolumbre dê início ao rito regimental antes das eleições, em outubro. O presidente do Senado tem dado sinais dúbios sobre as propostas de interesse do Executivo que estão paradas na Casa.

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