Uma comissão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) concluiu que o decreto do ex-governador Cláudio Castro foi elaborado sob medida para permitir que o Banco Master fosse credenciado no programa Credcesta, de crédito consignado. O estudo do colegiado aponta que essa foi a porta de entrada para a instituição financeira de Daniel Vorcaro no estado, dois anos antes dos aportes bilionários feitos pelo Rioprevidência e pela Cedae.
Detalhes da investigação
De acordo com o relatório da comissão, o decreto publicado pelo governo estadual alterou regras do Credcesta de forma a beneficiar diretamente o Banco Master. A medida teria sido tomada sem transparência e sem seguir os trâmites legais adequados, o que gerou suspeitas de favorecimento.
O programa Credcesta é um sistema de crédito consignado destinado a servidores públicos estaduais. A entrada do Banco Master nesse mercado ocorreu em 2021, quando a instituição ainda era pequena e pouco conhecida. Posteriormente, em 2023, o banco recebeu investimentos vultosos do Rioprevidência e da Cedae, o que levantou questionamentos sobre possíveis irregularidades.
Repercussão política
O ex-governador Cláudio Castro, atualmente deputado federal pelo PL, nega qualquer irregularidade. Em nota, sua assessoria afirmou que o decreto seguiu todas as normas legais e que o credenciamento do Banco Master ocorreu dentro dos critérios estabelecidos. Já Daniel Vorcaro, ex-CEO do Master, não se manifestou até o fechamento desta edição.
A comissão da Alerj, presidida pelo deputado estadual Rodrigo Amorim (PTB), recomendou o encaminhamento do caso ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado para investigações mais aprofundadas. O relatório também sugere a revisão de todos os contratos firmados entre o governo do Rio e o Banco Master.
Impacto no cenário econômico
O caso reacende o debate sobre a relação entre o poder público e instituições financeiras no estado. Especialistas ouvidos pela coluna apontam que a falta de transparência em processos de credenciamento pode abrir brechas para favorecimentos e comprometer a saúde financeira do setor público.
O Banco Master, que cresceu rapidamente nos últimos anos, nega qualquer favorecimento e afirma que suas operações no Rio de Janeiro seguiram todas as regras. A instituição também destaca que os aportes do Rioprevidência e da Cedae foram feitos com base em análises técnicas e de mercado.



