O União Brasil mantém a candidatura de um ex-presidiário ao Senado pelo Rio de Janeiro, mesmo após sua condenação judicial, e intensifica pressão sobre o PL para formar uma aliança estratégica no estado. A decisão do partido de insistir no nome de Luiz Carlos da Silva, conhecido como “Carlinhos Preso”, gerou controvérsia nos bastidores políticos fluminenses.
Histórico de condenação e candidatura
Luiz Carlos da Silva foi preso em 2021 por envolvimento em esquema de desvio de verbas públicas, mas conseguiu registro de candidatura após decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). O União Brasil, no entanto, afirma que a condenação não transitou em julgado e que o candidato tem direito a concorrer. “Acreditamos na inocência de Carlinhos e na necessidade de renovação política no Senado”, declarou o presidente estadual do partido, deputado federal Paulo Marinho.
Pressão sobre o PL
O União Brasil tem pressionado o PL, sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, para que desista de lançar candidatura própria ao Senado no Rio e apoie o nome de Carlinhos. A negociação inclui promessas de apoio em outras esferas, como a eleição para a Câmara dos Deputados. “O PL precisa entender que a união das forças conservadoras é fundamental para derrotar a esquerda”, afirmou Marinho. Segundo fontes do partido, a pressão já gerou atritos internos no PL, que avalia a viabilidade eleitoral de Carlinhos.
Repercussão e críticas
A candidatura de um ex-presidiário gerou críticas de adversários políticos e de entidades de defesa da ética. O presidente do PT no Rio, deputado federal Benedita da Silva, classificou a aliança como “um retrocesso moral”. “O União Brasil e o PL estão dispostos a apoiar um condenado para manter o poder. Isso é inaceitável”, disse. Já o cientista político Ricardo Ismael, da UFRJ, avalia que a estratégia pode ter efeito contrário: “O eleitorado fluminense tem mostrado rejeição a candidatos com ficha suja. A insistência pode prejudicar ambos os partidos.”
Impacto nas eleições de 2026
Com a indefinição, o cenário para o Senado no Rio de Janeiro continua aberto. O União Brasil aposta na popularidade de Carlinhos em comunidades carentes, onde ele atuou como líder comunitário antes da prisão. Dados de pesquisa interna do partido indicam que 12% dos eleitores fluminenses aprovam a candidatura. O prazo para registro definitivo de candidaturas se encerra em 15 de agosto, e a pressão sobre o PL deve se intensificar nas próximas semanas.



