Recesso da Câmara deixa sem punição deputados que ocuparam Mesa
Recesso da Câmara deixa sem punição deputados que ocuparam Mesa

A Câmara dos Deputados entrará em recesso no fim desta semana sem um desfecho para o processo disciplinar contra os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcos Pollon (PL-MS), que participaram da ocupação da Mesa Diretora da Casa, em agosto de 2025.

Motim e reação à prisão de Bolsonaro

Os parlamentares fizeram um motim que inviabilizou os trabalhos da Câmara por cerca de 30 horas em reação à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A ideia dos deputados com a iniciativa era pressionar a cúpula do Congresso a pautar a anistia a Bolsonaro e a demais condenados pelos ataques golpistas do 8 de janeiro.

Processo parado e comparação com punição de Glauber Braga

O episódio, considerado um ponto baixo na gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB), está com processo parado, enquanto o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) retornou às atividades na Câmara no mês passado após cumprir a suspensão de seis meses de seu mandato determinada pelo Conselho de Ética. A punição foi chancelada em plenário por agredir fisicamente um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) nas dependências da Casa, em abril de 2024.

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Recurso dos deputados aguarda despacho de Motta

Embora o Conselho de Ética tenha aprovado, em maio, a suspensão de 60 dias dos três parlamentares da oposição que ocuparam a Mesa, a punição ainda depende de análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), já que eles recorreram da decisão. O recurso apresentado pelos deputados aguarda despacho do presidente da Câmara, responsável por enviar a matéria para análise no colegiado. A ocupação da Mesa levantou questionamentos entre os deputados sobre o comando de Motta e sua autoridade junto ao plenário.

Procurada, a assessoria de Motta afirmou que ainda não há decisão sobre quando o presidente deve despachar esse tema. Um deputado com assento na CCJ diz que o tema não está na ordem do dia do colegiado e dificilmente deverá andar neste ano.

Possíveis próximos passos e declarações de Van Hattem

Se o recurso for rejeitado na CCJ, os deputados ainda podem recorrer ao plenário da Câmara antes de serem suspensos. Van Hattem diz à reportagem que não foi procurado por Motta nem buscou o presidente da Casa para tratar do assunto. Ele afirma que, caso o recurso seja levado à votação na CCJ, ele deverá ser acatado.

— Acho que não [deve ser discutido neste momento]. E se for, a CCJ acata nosso recurso. Teve muita inconstitucionalidade no processo — diz o deputado.

Perspectivas e contexto político

A avaliação de lideranças é que o tema deve ficar para o segundo semestre ou até mesmo após as eleições, em outubro, já que tradicionalmente o Congresso fica esvaziado durante o processo eleitoral. O recesso parlamentar começa oficialmente no próximo dia 18.

Além disso, um aliado próximo de Motta diz que ele não deverá comprar esse desgaste com a oposição num momento em que vem sendo criticado pelo grupo por estar mais próximo do Palácio do Planalto e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente da Câmara foi eleito para chefiar a Casa com apoio tanto do PT quanto do PL e, desde o começo de seu mandato, tem feito gestos aos dois partidos. Ele busca ter a chancela das duas siglas para sua reeleição, em fevereiro de 2027.

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