PT faz encontro com católicos e prepara carta para reeleição de Lula
PT se reúne com católicos e prepara carta para reeleição

O Partido dos Trabalhadores (PT) realizou um encontro com católicos nesta terça-feira, 11 de junho, em mais um movimento de aproximação da legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao segmento religioso. A expectativa é que uma carta seja divulgada nesta quarta-feira, 12 de junho, com pontos que devem ser incorporados ao programa de governo da campanha de reeleição de Lula.

Disputa pelo voto religioso

O voto do segmento religioso é disputado pelas campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Opositores do presidente buscam usar a pauta de costumes para atacar o governo e seus aliados. O encontro desta terça ocorreu dias após uma reunião organizada pelo PT com evangélicos, no último dia 8 de junho.

O coordenador nacional do setor inter-religioso do PT, Gutierres Barbosa, nega que haja interesse eleitoreiro do partido nesse movimento. Segundo ele, a história do PT “se confunde com a própria história dos movimentos progressistas dos segmentos religiosos no Brasil”. Barbosa afirmou: “Não é um roteiro eleitoral, é de defesa da democracia, daqueles que mais precisam. Defesa da vida da forma mais ampla que a vida pode nos oferecer”.

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Atuação de Janja e críticas de Lula

A primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, também tem atuado no diálogo com o segmento religioso. No encontro desta terça, Janja gravou um vídeo exibido aos participantes. Segundo publicação no site do PT, ela mencionou a contribuição da igreja católica no dia a dia das pessoas: “Mulheres e homens católicos seguem trabalhando incansavelmente, cuidando das pessoas mais vulneráveis, visitando os doentes, atuando na saúde, na educação e na assistência social, colocando em prática as palavras de Jesus”.

Lula já declarou publicamente ser contra explorar a fé para fins eleitoreiros e rejeita participar de cerimônias religiosas como cultos. Apesar disso, desde o ano passado, o petista intensificou acenos aos religiosos, com encontros e menções em discursos.

Conteúdo da carta e pautas

Gutierres Barbosa afirma que a carta a ser divulgada reforçará as políticas sociais do governo Lula 3, além da defesa da soberania e da democracia brasileira. Ele também mencionou que um dos pontos será a defesa do fim da jornada de trabalho 6×1 e da tarifa zero no transporte público. O coordenador do setorial do PT afirma ainda que é preciso fazer a defesa do estado laico.

Sobre o aborto, Barbosa declarou que o debate está “superado” no PT. O tema é usado por oposicionistas para desgastar o partido. Ele disse: “Isso está superado dentro do PT. Não estamos nem tratando disso dentro do PT e não é porque estamos ocultando nada, todos os temas precisam ser dialogados e conversados, numa sociedade democrática você ouve quem é a favor e quem é contra. Eu diria que esse tema está muito superado dentro do PT e é por isso que ele não aparece em nenhuma discussão, [não aparece nas] plenárias de mulheres, das comunidades LGBT, da juventude. Está superado porque nós estamos preocupados com o nosso país, tem muita coisa pra gente cuidar, nós pegamos um país destroçado. Vamos falar da vida? Vamos fazer um debate coerente com a sociedade: quem foi que defendeu a vida no período da pandemia? Nós defendemos a vacina, eles mataram 700 mil. Defender a vida é defender a vida plena, não é defender um tema. É defender a vida na sua plenitude”.

Em mais de uma ocasião, Lula declarou ser pessoalmente contra o aborto. Em 2022, durante a campanha à Presidência, gravou um vídeo afirmando que não só ele era contra o aborto, como todas as mulheres com as quais casou também eram. Atualmente, o aborto no Brasil é permitido em três hipóteses: quando a gravidez é resultante de estupro; quando há risco de morte para a mulher; e quando o feto for anencéfalo.

Base religiosa do PT e combate à desinformação

Gutierres Barbosa afirmou que cerca de 86% dos filiados do PT são cristãos — católicos ou evangélicos — e que o movimento de diálogo com o segmento religioso foi intensificado nos últimos anos diante do “avanço do conservadorismo no Brasil e do ódio”, além de ser necessário fazer frente à desinformação. Segundo ele, é “inconcebível” em um país democrático que “a campanha do ódio prevaleça a do amor, da paz e da justiça”.

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Barbosa explicou: “Já se confundia tanto a presença do PT dentro do meio religioso, que não tinha um trabalho voltado [ao segmento]. O PT foi constituído por uma base religiosa, então não precisava fazer esse trabalho tão específico. Mas, diante dos ataques, de tentativa de afastamento dessa base, é que nós reconhecemos isso e falamos: ‘temos que ter esse trabalho específico para fazer frente à desinformação’. Diziam que o PT ia fechar igrejas. Nunca tivemos isso. Onde está isso? Diziam que a gente ia distribuir kit gay, nós nunca fizemos isso. Não podemos ter no país uma direita que usa da mentira e da desinformação para tentar fazer a disputa eleitoral”.

Ele rejeitou que essa postura do partido vá de encontro com a crítica que o próprio Lula faz sobre o uso da religiosidade para fins políticos. “Esse sentimento de misturar política e fé dentro das igrejas nós não vamos fazer. Vamos trazer as pessoas para o debate. Não podemos invadir os púlpitos como foi feito pela extrema-direita e transformar púlpito em palanque. Lula não vai se batizar nas águas do rio Jordão para fingir-se de crente. Lula é católico. Não vamos fazer nenhum movimento para agradar ninguém, só estamos demonstrando que o PT tem relação. Não precisamos forçar a barra como a direita pesou a mão invadindo os púlpitos para se fingir de evangélicos. Não precisamos disso”.