Irritação de presidentes de partidos com Valdemar sobre emendas
Presidentes de partidos se irritam com Valdemar sobre emendas

Presidentes de partidos políticos demonstraram forte irritação com Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), após sua tentativa de centralizar a distribuição de emendas parlamentares. A insatisfação foi manifestada em reuniões nos bastidores do Congresso Nacional, onde líderes partidários acusaram Valdemar de querer controlar recursos que, por tradição, são geridos pelos próprios parlamentares e pelos partidos.

Tensão cresce entre líderes partidários

Segundo relatos de participantes, a reunião ocorreu na última quarta-feira e contou com a presença de lideranças de partidos como União Brasil, MDB, PSDB e PSD. Valdemar teria proposto que as emendas de bancada e de comissão fossem direcionadas conforme a orientação do PL, o que gerou reação imediata. “Ele quer ser o dono do cofre, mas o dinheiro é do povo e a decisão é do Congresso”, afirmou um presidente de partido que preferiu não se identificar.

As emendas parlamentares são instrumentos pelos quais deputados e senadores indicam destinações de recursos do Orçamento da União para seus redutos eleitorais. Em 2025, o valor total destinado a emendas individuais e de bancada superou R$ 50 bilhões, um recorde histórico. A tentativa de Valdemar de influenciar essa distribuição é vista como uma manobra para fortalecer o PL nas eleições de 2026.

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Reações e consequências políticas

O presidente do União Brasil, Luciano Bivar, foi um dos mais críticos. Em conversas reservadas, classificou a postura de Valdemar como “autoritária” e “desrespeitosa com a autonomia dos partidos”. Já o líder do MDB na Câmara, Isnaldo Bulhões, afirmou que “cada partido tem sua própria dinâmica e não aceitará ingerência externa”.

O episódio ocorre em um momento de fragilidade das relações entre o PL e outras legendas, especialmente após a saída de partidos da base aliada do governo. Analistas políticos apontam que a briga pelo controle das emendas pode rachar ainda mais o centrão, bloco informal que reúne partidos de centro e centro-direita. “Valdemar está tentando se consolidar como o grande cacique do centrão, mas isso pode ter o efeito oposto”, avaliou o cientista político Antônio Lavareda.

Histórico de disputas

Valdemar Costa Neto não é novato em controvérsias. Em 2023, ele foi alvo de críticas por supostamente favorecer aliados na distribuição de emendas. Agora, a pressão aumenta. Na última sexta-feira, o presidente do PSDB, Marconi Perillo, declarou em entrevista que “ninguém pode se arvorar o direito de decidir sozinho sobre recursos que pertencem a toda a sociedade”.

A expectativa é que o tema seja levado à reunião de líderes da próxima semana, onde Valdemar deverá ser confrontado abertamente. Enquanto isso, nos corredores do Congresso, a frase mais ouvida é: “O Valdemar está queimando a largada”.

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